20 maio 2006

A morte do jardineiro
by amigo "J. M."

Superado o medo,
Superado o engano da clareza,
Superado o engodo do poder,
Vem-me a velhice.
O que se há de fazer?!
Com ela convivo no tempo presente,
Sem passado e sem futuro.
E, como vai-me chegando a morte,
Sinto-me mais perto de tudo quanto já vivi.
Sinto-me mais semelhante às sementes
E, como elas, desejo morrer.
Que há de mim germinar?!
Que há depois de florir?!
Vivi morrendo de amores,
Vivi plantando árvores,
Plantando flores.
Agora morro pra viver em tudo,
Me espalhar feito erva no chão,
Feito trepadeira num caramanchão.
Morro na unidade
Pra viver disperso,
Espalhado no universo.
Assim, serei mais eu,
Serei mais tudo,
Mais corpo único,
Mais completo,
Serei mais nada.
...
Enfim,
Deixo de ser jardineiro
Pra voltar a ser jardim.

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