11 dezembro 2011

gera

arte gera arte
fraternidade gera fraternidade
humanidade gera humanidade

pessoas amadas
amam pessoas
sociedade amorosa
geram pessoas amorosas

16 novembro 2011

a "felicidade" e a "sensação de felicidade"



fazer acalmar, fazer silenciar o coração confuso...
fazer confortar, conformar, fazer curar o coração rude...
e então fica satisfeito com a calma e a cura obtida...
pára aí.
não deseja mais que isso


como não é viável a atividade normal
com a confusão e rudeza
por ora é necessário acalmar e curar


mas não é esse o objetivo
é algo que quer ir além
vivendo na verdade
vivendo na correição
é o viver naturalmente
é o viver na normalidade
viver a felicidade
não a sensação de felicidade





a razão do kensan

e mesmo em relação a razãoverdade
ela aparece ou desaparece
na relação temporal da causa e efeito
e o fenômeno que resulta
das combinações da causa e efeito
está sob o efeito da temporalidade
daí a necessidade do Kensan

o ser humano



falar do fato
dizer da verdade
não consegue


tão somente
o que pensa
sobre
consegue


isso também
é o que eu
penso
e nada mais





25 setembro 2011

Anatomia do ego

O cérebro decifrado por Damásio e Nicolelis 


RESUMO
Dois neurocientistas compõem retratos do cérebro como um órgão ainda mais complexo e maleável do que se pensava: enquanto o brasileiro Miguel Nicolelis busca implantes cerebrais para tentar fazer paraplégicos andarem, o português António R. Damásio quer ir mais longe e descobrir os mistérios da consciência. MARCELO LEITE

22 setembro 2011

escolha minha?

existo porque escolhi existir? vivo porque escolhi viver? morrerei por que escolherei morrer? tenho irmãos porque escolhi tê-los? tenho pais porque escolhi tê-los? falo a língua portuguesa&japonesa porque escolhi falar? a ferida no corpo curou porque eu escolhi curá-la?  porque então essa arrogância?


11 setembro 2011

Reformas

foi durante o tokkou 84 é que começou vasar áqua da caixa dagua do salão.
essa semana resolvemos colocar no chão pra fazer os reparos.
video



um caminhão com braço mecanico botou o tanque no chão

video



27 agosto 2011

"a árvore da vida"

 fui assistir com edú, " a árvore da vida". gostei da parte narrativa das recordações da infância, pois penso que recontar a nossa própria história faz parte da (re)significação e singularização da nossa vida. não gostei do tratamento que dado ao "sentido da vida", pois o filme considera como se ele estivesse fora de nós, (no caso na existência de deus, et, ou qq entidade extra sensorial)...
 no final da sessão,  houve aplausos, gritos e uivos!! de que? de alívio  de ter terminado, de xingamentos!!! hahahah! o povo foi esperando uma coisa, econtrou outra!!

noivas do cordeiro

um dia desses, a minha amiga mariz faria de belorizinte
me chama no chat, diz que visitou um lugar que eu ela adorou
e que eu devia conhecer: "noivas do cordeiro"
que era muito parecido com vila yamaguishi onde eu moro
eu nunca tinha ouvido falar
ela falou. falou, não estava entendendo nada
no fim me prometeu mandar um documentário em dvd
bem, só agora consegui postar aqui
vejam a impressionante história dessas mulheres ( e homens tb )

parte 1

parte 2

04 agosto 2011

o fato verdadeiro

um mundo em que
o objetivo: é o fato verdeiro
único parâmetro: é o fato verdadeiro
uma sociedade que possibilita viver o fato verdadeiro
uma sociedade que possibilita conhecer o eu de fato verdadeiro

o fato verdadeiro = a felicidade

02 agosto 2011

PLENO DE VÔO

errar, errar muito
errar por aí
por ali
errar em português
em inglês
em latim
em Sevilha
Tóquio
Belém
Nova York
Praga
Berlim
por tantas terras
ares e mares
até voares além

by Ademir Assunção
( saudoso a migo dos tempos de faculdade)

dan

29 julho 2011

eu - eles - nós

eu
fui traído
por quem?
por mim mesmo

eles
fazem
o que fazem
por elas mesma

nós
nos iludimos
de que as pessoas
agem conforme o nosso querer

19 julho 2011

Crenças e preconceitos moldam reação das pessoas a prazer e dor

Um vinho barato com rótulo de bebida cara parece ser mais gostoso, diz pscicólogo, assim como o mesmo cheiro pode ser agradável ou nojento dependendo do contexto em que é encontrado por diferentes pessoas


VAGUINALDO MARINHEIRO

Paul Bloom, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Yale (EUA), quer entender por que o conhecimento e as nossas crenças interferem na forma como sentimos prazer, seja ao beber um vinho, ver uma obra de arte ou fazer sexo.

Autor do livro "How Pleasure Works" (Como o Prazer Funciona), Bloom diz que, ao sentirmos prazer, respondemos a coisas mais profundas do que gosto, cheiro ou aparência. Na verdade, diz, nosso prazer é guiado pelo que sabemos, ou julgamos saber, sobre o objeto ou a pessoa com os quais interagimos.

"Mesmo nos prazeres mais animais, somos influenciados por aquilo em que acreditamos", diz o pesquisador.
Bloom, 47, também estuda o comportamento moral de bebês e diz que a crença de que todas as crianças são anjos está errada. "São humanos como eu ou você. Têm impulsos bons e maus."

O psicólogo, cuja disciplina de introdução à psicologia está disponível de graça para download(oyc.yale.edu/psychology/introduction-to-psychology), esteve na semana passada em Edimburgo, onde participou da TEDGlobal, série de palestras sobre inovação.
Após falar para uma plateia de 850 pessoas, ele conversou com a Folha. Confira os melhores trechos da conversa abaixo.


03 julho 2011

crer e duvidar

duvidar de tudo
ou
crer em tudo
tanto faz
são comodidades
nos dispensam
de refletir
de ser
humano

sempre tem a primeira vez ?

você diz
tenta fazer tudo
sempre
como se fosse
a primeira vez

no entanto

na essência
no fato
no real
é sempre
a primeira vez

02 julho 2011

o que vem antes? (c)

será que existe
entre eu e voce
o reconhecimento mútuo
do que seja o ser humano? (essencialmente falando)
sem isso
fazer juntos
as eco-vilas, as comunidades, o caixa único, o uso-comum, as vilas yamaguishis, etc
não passa de
aparência cromada
cópia
cópia da cópia

o que vem antes? (b)

será que existe
entre eu e voce
o reconhecimento mútuo
do corpo único? (essencialmente falando)
sem isso
fazer juntos
as eco-vilas, as comunidades, o caixa único, o uso-comum, as vilas yamaguishis, etc
não passa de
aparência cromada
cópia
cópia da cópia

o que vem antes? (a)

será que existe
entre eu e voce
o reconhecimento mútuo
de que não é de ninguém? (essencialmente falando)
sem isso
fazer juntos
as eco-vilas, as comunidades, o caixa único, o uso-comum, as vilas yamaguishis, etc
não passa de
aparência cromada
a cópia
a cópia da cópia

[Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada]


El Cielo de Canarias / Canary sky - Tenerife from Daniel López on Vimeo.

http://poesiasalbertocaeiro.blogspot.com/2007/09/h-metafsica-bastante-em-no-pensar-em.html

by Caieiro (Fernando Pessoa)


O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.


Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?


Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).


O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.


Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?


"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.


Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.


O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!


(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)


Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.


Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.


E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

25 junho 2011

Raciocínio evoluiu por causa de discussões

Estudo contraria ideia de que a razão se desenvolveu para achar a verdade
Teoria de cientistas franceses explicaria porque raciocínio das pessoas é cheio de inconsistências e vieses

HÉLIO SCHWARTSMAN

Num artigo impactante, que vira do avesso alguns dos pressupostos da filosofia e da psicologia evolucionista, os pesquisadores franceses Hugo Mercier (Universidade da Pensilvânia) e Dan Sperber (Instituto Jean Nicod) sustentam que a razão humana evoluiu, não para aumentar nosso conhecimento, mas para nos fazer triunfar em debates. Desde alguns gregos, mas especialmente com René Descartes (1596-1650), consolidou-se a ideia de que a razão é um instrumento pessoal para nos aproximar da verdade e tomar as melhores decisões possíveis. "Penso, logo existo" é a divisa que celebrizou o pensador francês. Se esse esquema é exato, como explicar que o pensamento humano erre tanto? Como espécie, fracassamos nos mais elementares testes de lógica, não conseguimos compreender noções básicas de estatística e nascemos com uma série de vieses cognitivos que conspiram contra abordagens racionais. A situação não melhora quando quando abandonamos o reino das abstrações para entrar no terreno do interesse pessoal. Vários estudos têm mostrado que a maioria das pessoas comete verdadeiros desatinos lógico-financeiros ao administrar seus fundos de pensão. Mercier e Sperber afirmam que é possível explicar esse e outros paradoxos se deixarmos de lado a noção clássica para adotar o que chamam de teoria argumentativa. Apresentam uma convincente massa de estudos e evidências em favor de sua tese. A ideia básica é que a capacidade de raciocinar é um fenômeno social e não individual, cujo objetivo é persuadir nossos semelhantes e fazer com que sejamos cautelosos quando outros tentam nos convencer de algo.

SOLUÇÕES
A teoria, dizem os autores, não só faz sentido evolutivo como ainda resolve uma série de problemas que há muito desafiavam a psicologia. O mais importante deles é o chamado viés de confirmação, que pode ser definido como "buscar ou interpretar evidências de maneira parcial, para acomodar crenças, expectativas ou teorias preexistentes". O fenômeno está na base daquela mania irritante de políticos de só responder o que lhes interessa. O viés de confirmação é ainda uma das razões de persistência no erro, mesmo quando ele nos prejudica. Temos dificuldade para processar informações que contrariam nossas convicções. Em suas versões extremas, ele produz pseudociências, fé em religiões e sistemas políticos e também teorias da conspiração. Sob o modelo clássico, o viés de confirmação é uma falha de raciocínio mais ou menos inexplicável. Mas, se a razão foi selecionada para nos fazer vencer em debates, então faz sentido que eu busque apenas provas em favor da minha tese, e não contra ela. Adotada a lógica da produção de argumentos, o que era erro se torna um dos pontos fortes da teoria.

FENÔMENO SOCIAL
O modelo tem, evidentemente, implicações fortes. A mais evidente delas é que a razão só funciona bem como fenômeno social. Se pensarmos sozinhos, vamos muito provavelmente chafurdar cada vez mais fundo em nossas próprias intuições. Mas, se a utilizarmos no contexto de discussões, aumentam bastante as chances de, como grupo, nos dar bem. Ainda que nem sempre, por vezes as pessoas se deixam convencer por evidências. Trabalhos mostram que, quando submetidas a situações nas quais é preciso chegar a uma resposta correta (testes matemáticos ou conceituais), pessoas atuando sozinhas se saem mal, acertando em torno de 10% das respostas (Evans, 1989). Quando têm de solucionar os mesmos problemas em grupo, o índice de acerto vai para 80%. É o chamado efeito do bônus de assembleia.

09 junho 2011

maria

by mariaser

PRISÃO
Se hoje eu tivesse forças para andar
Quebraria as amarras que inventei em mim
E feito bicho assustado correria.
Deixaria esta prisão traiçoeira se contorcer sozinha em meu leito
E faria o caminho se estender sem fim
Desafiando minha dor.
Que dor e que pena!
Pois o momento pede vento
Pede vôo.

FERIDA
Ferida estou. E daí?
Não posso?
Posso tanto, que estou.
O importante é essa natureza que em mim é.
Teimosia é o que não me falta!
Portanto, hoje me é lágrimas.
Amanhã poderá ser açude ou um riacho seco.
Nesta estrada negada, tudo pode acontecer.
Momento confuso.
Fico bem, fico mal.
E faço de mim um parafuso.

...?...
Assim a vida faz de mim um papel molhado
Encharcado.
Encharcado de quê? Pergunto eu
Nem vi a chuva que por aqui passou!
Assim a vida faz de mim uma folha seca
Tentando viver
Viver o quê? Pergunto eu
Nem chegou a primavera!
Assim a vida me faz uma mulher calada.
Silenciando o quê? Pergunto eu
Ao menos a multidão parou para me ouvir?
Assim a vida me pede licença para continuar me vivendo!
Aceito. Ela e eu nos confundimos mesmo...
Nos fundimos... Nos sumimos...
Com ou sem mimos...

ESQUECE!
O que mais quero é querer-me como sou.
É me ver num reverso de um espelho.
Meus olhos?
Minas nascentes.
Coisa ruim é a memória! Guarda tudo!
Milenar teia de aranha.
Queria não lembrar, de como vivi, de como fiquei.
Tanto tempo assim...
E você?
Sem mim.
Eu? Envolta em-vultos.
Sombras esticadas fazendo vidas.

LAMENTO
Me contorcendo na fadiga da vida
Alcanço apenas a intrigante agonia.
Coitada de mim mesma!
Não consegue criar respostas solucionativas.
Nem consego apelar para Deus.
Pois este Deus e perdeu em mim.
Ai! Ai! Se pelo menos eu acreditasse nele!
Jogaria para o céu esse meu indomável neutralizante sentimento!
Descasamento! Lamento indolente.

MISTUREBA
Cozinho
Bordo
Costuro
Escrevo
Lavo
Cuido
Bordo
Desarrumo
Danço e canso.
E não consigo a constante:
Felicidade
Alegria
Liberdade
Sabedoria
Dor
Elas são tão escorregadias!
Tão voláteis!
Que uma bomba atômica ou quase atônita levaria tudo
Levaria até mesmo o meu sonho de ser livre!


ESCURIDÃO
Bato a porta.
Não tem boa noite.
Apenas uma lágrima transparente.
Ninguém vê.

DORES
Posso tudo
E quase nada faço
Também quem pudera...
Tenho apenas uma cabeça voante, duas pernas finas e um corpo envelhecendo!
Que flutuantemente dorme/sonha-acorda/sonha
Portanto me sento aqui na via da vida
Logo passarão os passarinhos.

DECLÍNIO
Depressão, depressiva, devastada,
Devorada por mim mesma
Me calo diante deste sabor
Eu, logo eu que gritei tanto!
Descanso
Depois avanço. Depois.

NOITE
Embrulhei minha coragem
Torcida entre pânico e pressa de chegar ao fim.
Se é que existe um fim entre a vida a morte.
O medo passa, a dúvida chega, o amor adormece.
E minha vida agüenta meus pensares
Disfarçados se encolhendo em meus braços
À procura de mim mesma
Hoje me perdi, na escuridão do passado.

SOSSÊGO
Perdi ontem meu cajado, meu guia.
Segui cambaleantemente.
O vento me levando e eu levando um sopro
Da vida que me leva.
Encontrei hoje o meu cajado!
Já gasto
De tanto me procurar
Recostamo-nos e adormecemos!

RELUZES
Hoje quero ficar apenas com o que é meu:
Meus nãos, meus medos, meus frios.
O que tu fizestes, são teus.
A mim bastam os meus tropeços
Acertados em mim feito faíscas
Tão claras! Tão rápidas e tão belas!
Hoje quero apenas estas faíscas.

COMPANHIAS
Pedi um guia, uma guia
Quando me perdi em uns grãos de areia.
Cristaizinhos.
Eram tantos entre o mar e as rochas!
Rolando entre minha pele e as tabatingas!
Senhora de tudo naquele momento.
Tudo em mim: a terra, o mar, o som, as águas
E EU.

TEIMOSIA
O silêncio da tristeza
Me traz uma dor que em mim teima em ficar.
Cansada, aceito e declaro:
- “Fica, descansa em ti mesma, logo-logo serás apenas compostagem
Para sustentação de uma nova semente que em ti brotará”.

SEM TEMPO
Perdi meu cavalo,
E as rédeas que me prendiam a ti, toraram-se.
E partindo-se, fizeram-se um meio passante.
Cadê o verbo do quase-passado?
Eu preciso dele neste momento!

PACIÊNCIA
Aprendo a não contar os dias
Não sei contar as noites
As horas?
Que me importa contá-las?
Quero apenas o tempo
Curador.

FUI
O que ainda resta?
Larga busca de mim mesma.
Que mania! Vivo me buscando!
Do que fui e do que serei e do que sou!
Minha cabeça, minha alma, meus pensares
Minhas mudanças sou eu
Minhas lembranças sou eu
Então só me resta eu.
Tá bom. Fico então!

RESSESSO HOMONAL
Hoje, agora mesmo, não gosto de homem
Para casar ou namorar
Não por ser lésbica, pois não sou
Não gosto porque eles não sabem amar
Não sabem enxergar
Não conseguem sutilizar
Sabem sim, farejar o cheiro do cio
E buscar uma fêmea
Quando lhes abrem o apetite.
Se hoje sem sexo? Amanhã sem sexo?
Um mês sem sexo?
Eles azedam. Embrutecem
Eles não sabem amar sem sexo
E com sexo não sabem
Eu não gosto de homem
Sem que antes me enxergue transparentemente.
Me tenha antes de me ter.
Depois?
Depois pode ter sexo
Depois de muitos cheiros, sonhos, flores, banhos, contos, noites e dias no olhar.
Aos sessenta anos
Quero anos de maciez, de suscitez, de perenez, de sutilez, de benquerez, de adormecez, de descancez,
De vocês mulheres, quero outros verbos,
Para comigo conjugar.

ABORTO
Ufa! Finalmente hoje “descansei”
De uma prenhez indesejada
Adquirida estupidamente por mim
Quando o marido viaja para um encontro amoroso.
De repente uma barriga do abandono!
Fiquei tão irritada, enjoada, entojada, triste
Que me derreti em lágrimas e em lamentações
Pensei: “gravidez dura nove meses, não posso esperar tanto”.
Revirei-me pelo avesso. Expurguei.
E sozinha, com apenas três meses abortei.
Abortei dores, mágoas, medos, raivas, tristezas...
Que bom. Tomara que tenha saído tudo.
Parece que agora vou ficar bem.
Virão outros, mas agora me depurei.
Parece mesmo que a dor depura.
Claro que ardeu muito, mas valeu a pena.
E se voltarem?
Quem?
Os fantasmas das dores.
Abro as portas, fecho as portas, sei lá!
Boto uma música bem alta e os convido pra dançar.

COISAS DE MÃE
O filho cresceu muito
Um metro e setenta
É já um homem.
E eu tentando aconselhá-lo, engembrá-lo.
Besteira minha
Coisas de mãe.
Leseira.
Ele escorregou entre meus quereres
Os dele são bem mais interessantes
Para ele.
Para mim?
Floresta noturna
Vou sair fugindo, correndo pegar outro trecho, outra estrada - a minha.
Prometo.

RUAS DE CHUVAS
Já nem sei se a loucura
É dizer que tudo isto é assim mesmo
Ou é dizer que a dor é pura lucidez.
Se a loucura é sair gemendo entre as ruas chuvosas
E se contorcer em fracassos é que é lucidez.
Sou uma louca lúcida. Lúdica!
Desafio a capacidade de ser feliz.
De ter perdido o último trem
E mesmo assim correr sobre os trilhos noturnos.
De ouvir desprezos
E mesmo assim se julgar culpada por tudo.
Não sei se estou perdida
Ou se a loucura anda ao meu lado
Lado a lado feito uma raposa louca.
Já não sei mais o que me leva e o que me traz
Estou fora dos trilhos
De um trem que me atropelou
E não sei se o trem algum dia me viu ou me teve como sua quase eterna passageira.
Não posso mais alcançar este trem
Ele está hoje lotado.
Já tem sua passageira ideal.
Só me resta uma linha quebrada
Que se sou louca ela pode ser fantasmagoricamente inteira
Às vezes penso que a lucidez se confunde com a loucura
E então aí se dá o grande mistério da Vida
Que por sinal, fica de repente imperdível.
E assim eu vou perambulando entre as incompreensibilidades.
Pontilhando os absurdos do não querer ser o que sou.
Mas o que sou afinal?
Isto ou aquilo?
Não sei.
Nada sou além deste momento.
Se queres que eu fique feliz em tua felicidade
Dá-me então esta felicidade.
Se é que podes.
Talvez ela não me pertença jamais.
Já não sei mais de minhas forças
Muito menos de minhas impossibilidades.
Me sinto em um momento desconhecido
E as minhas armas são insuficientes para lutar.
Então preferiria mil vezes ser louca
Para que essa angústia fosse apenas uma brusca agonia.
O silencio de uma floresta dentro de sua escuridão
Seria insuficiente para acolher o que sinto agora.
Perdi tudo que me era: os meus desejos mais íntimos,
A minha capacidade de encontrá-los achei agora.
Isto eu agora sei
E o saber traz saberes que também soa tragicamente
Dentro de um peito cheio de um enorme vazio.
Sou nada não, ou sou um espaço cheio do não sei o que.
Nem quero reler este poema
Pois me levaria ao passado
E os passados são lanças em meu corpo.
Mas o que ainda me deixa viva é saber que tenho sonhos.
E que mesmo sem ver como, acredito que um dia serei eu os sonhos.
Esta dor em mim pede um perdão.
Se é que seja eu uma assassina de mim mesma.
Fugir feito uma louca tem uma atraência lúcida
Mas fugir acorrentada como estou
Gera uma incapacidade prematura.
Tenho medo de mim mesma.
Mas a lucidez de saber que sou vida
Traz uma vontade eterna de seguir até onde não conheço
Apenas para de lá dar um salto sem medo sobre os abismos que me protegem.

60
Acho este número redondo
E hoje eu o tenho como meu
Ele chegou hoje.
Depois de cinco dias de uma clara, grande e luminosa
Lua cheia, lua de maio, lua Buda
Ele entrou com a lua
E me sinto hoje redonda
Rodeando meus 60 anos
Branca em minhas roupas
Que em branco será todo o meu 60
Saias brancas, vestidos brancos, roupas brancas
Vamos caminhar neste tom.
Vão dizer que sou louca, ou santa...
Da luz, do reluz.
Eu mereço
Agradeço
Enalteço
A VIDA.

SEGREDO
Hoje, (ou há meses?) perdi um amor.
De anos e anos
Nele estava também talvez um amor.
Mas não faz mal, (desculpando-me) já estava perdido mesmo.
Eu é que tolamente não sabia.
Apenas hoje e ontem e anteontem é que percebi.
Ausência total. Silencio escorregando entre os teclados.
Dentro de tudo isto me atiro aos meus inconfessáveis segredos.
“Devo ser mesmo muito má, maligna, malfeitora...”
Para ser esquecidamente atravessada tortamente na vida do outro.
Hoje, mesmo sem ser lua cheia, nem lua nova, o nevoeiro do céu e o meu, ressurge.
E eu apenas urjo.

FOLHA DE PAPEL
Peguei uma borracha e tentei apagar
Todos os traços do meu papel.
Muitos eu nem tinha ensaiado!
Fiz papel com traços de mim a vida inteira.
Com aplausos. Alguns.
Mas hoje passei a borracha.
Me arrependi. Ficou uma mancha cinza.
Ali. Eu. Sobre um papel manchado.
Que susto! E agora?
Onde estou? O que fui? Onde serei?
Luzes apagadas, cena encerrada.
E eu dentro de um papel borrado.
Peguei o fósforo para queimar este papel.
Não tive coragem.
O que farei com a fumaça e as cinzas?

MULHER
Que tolice. Ser mulher!
Gosta de tudo arrumado.
E quando não consegue arrumar sua própria vida.
Cai em choros. Se lamenta. Se desespera!
Escreve coisas que ninguém entende.
Que besteira ser mulher.
Se atreve a tudo.
A se apaixonar, a amar de corpo e alma.
Vira borracha só para se esborrachar.
Acredita no amor eterno, quando amor tem.
Não entende nada do que seja homem.
Só acha muito estranho, ele não lhe ver no escuro.
Muito esquisito ser mulher! Sonha a toa! Conta tudo que sente! E o que não sente também!
Se eu não fosse mulher, não saberia ser outra coisa.
Gosto de ser mulher. Às vezes dói, mas gosto.

NADA NÃO
Já fiz tanta coisa!
Já cantei o hino nacional.
Já pulei corda, esticada e bamba.
Já peguei água na cacimba.
Já namorei, casei, separei, juntei.
Já quis morrer, mesmo de “barriga cheia”.
Já quis matar, mesmo sem arma alguma.
Já gritei – “O povo unido jamais será vencido”.
Já vi o povo sendo vencido, vendido, fudido.
Já fiz teatro nas ruas e super 8 como atriz.
Já comi feijão puro, sem mistura.
Já comi caviar, com garfo de prata.
Já fui índia e neta de português.
Já fui hippy, sem ser viciada.
Já pintei, bordei crochetei, costurei.
Já mãe, avó, filha,
Já fiz aborto me sentindo morta,
Já amei, odiei, perdoei...
E ainda não sei o que sou.
Mas um dia eu descubro e te conto.

VENTANIA
Se eu soubesse de onde vem minha dor de agora
Eu iria até ela
Faria um encontro alucinógeno.
E comigo carregaria tudo que há em uma mala.
E esta mala seria eu.
Arrumada ou desarrumada seria eu.
E no saculejo da estrada da vida
Meus ais seriam apenas vozes de mim mesma
Transando cordas que me levariam a novos rumos.
Rumo ao desconhecido.
E mudando o tempo do verbo
Conhecerei como se conhece o vento em sua invisibilidade.
Querendo que eu transite em mim sem obstáculos.
E vou eu desentupindo canais do tempo
Tempos de sofrimentos e tempo para entendimentos.
Escorregando em lodos que me levam a saber esperar.
Nada posso fazer, apenas esperar por mim mesma.
E espero tecendo em mim mesma uma saída.

SQUELETO PRETO
Meu corpo não alimentado há dias
Pede apenas cama.
Para sonhar.

vou ser avô... 2

koide, keiko e haruna que estão no japão foram visitar a mira e me envia esse video






vou ser avô... 1

29 maio 2011

conversas sobre a vida e a morte

Morrer é apenas não ser visto, morrer é a curva da estrada. (F. Pessoa)


A morte é a continuação da vida, sem mim (Sartre)

A morte pertence à estrutura fundamental do ser humano, está sempre presente. É por ela que o ser humano conquista a totalidade da sua vida. Ela é a última extremidade que limita e determina a totalidade do ser. Ela tem o poder de apagar tudo o que não é essencial ao homem. Exige dele aprender a aproveitar o tempo, a vida. Lança-o para o olhar compassivo e com compaixão ouve e escuta os apelos dos outros seres. Passa a enxergá-la não como uma destriuição mas como a última possibilidade. Passa a perceber a vida como algo de imenso valor e lhe dá um sentido para viver e para morrer. Lhe dá a responsabilidade pela existência e a vê como possibilidades a realizar. Aceita o convite para responder as solicitações de tudo o que vêm ao seu encontro.

A partir da apreensão da angústia, o homem se percebe como um ser-para-morte. Ela resulta da imperfeição do homem, da falta de base da existência. Quando isso ocorre, Heidegger afirma haver duas soluções: ou o homem foge para a vida cotidiana (onde se ilude numa suposta segurança e sensação de pertencimento), ou aceita a angústia, manifestando seu poder de transcendência sobre o mundo e sobre si mesmo (suportando e aceitando a solidão, que passa a ser vista não como abandono mas como um estar consigo mesmo). Cada um de nós morrerá a sua morte e viverá a sua vida. Essa tarefa é insubstituível pois ninguém pode fazê-lo em nosso lugar. É algo que está presente desde o momento em que se dá o primeiro sopro de vida. Quando o ser humano vêm à vida, ele já tem idade suficiente para morrer. Ela deveria nos humanizar, nos conduzir a essência do ser homem.

O perigo esta naqueles que julgam e possuir respostas para o indizível, certezas inabaláveis. São mestres do discurso e da retórica e dizem possuir a verdade. Esquecem da fragilidade da vida, estalam-se numa impressão de ela está sempre garantida e assim, se descuidam. Tudo perde seu valor. A morte e o morrer pode nos acordar desse sono. Enquanto aqueles que acolhem a visitação da angústia, podem sentir a dor e o sofrimento da vida e da morte mas, não sentem raiva, desespero ou rancor diante do fim. Possuem a si mesmos e a alegria serena de uma existência intensa, fiel a si mesma, onde não se precisa de certezas mas, de inquietações.

by Tiago Villano - blog "Mural da Existência"

amigos anos 70 - paulo, aurora, leda, jorge, lidia, samuel, edna, marcia e os manos

olhasó, ganhei de presente esta semana, de shirakawa-san, que chegou de japan, este aparelhinho que mais parece aqueles tvzinhos paraguaios dos anos 80, mas que nada, ele transforma aqueles antigos filmes de slide do fundo de baú diretamente para o pendrive num arquivo digital to tipo .jpg 

ah, fiquei esta semana inteira "revelando" as fotantigas. são fotos de 1970 a 1975, quando tirava fotos em slide (em positivo), isto porque meu papito tinha ido a japão na Expo'70, trouxe um projetor de slides, (trouxe tambem as primeiras maquinas de calcular eletrônico de bolso), bem, dai em diante durante 5-6 anos eram fotos so em positivo, para passar no projetor. era legal, porque tiravamos as fotos e projetava para todo mundo assistir juntos.  eram tempos de chácara canaã, igreja holiness, escolas dominicais nos bairros, os irmãos kawaharas, saiki, obaras, ikutas, kimuras, yamaues.... olhando pra trás, chamaria aqueles anos de "anos dourados". ingênuidade, descobertas, os primeiros namoros, o sexo juvenil, boas intenções, a juventude evangélica,..               

paulo kawahara
  
aurora kawahara e leda obara
escola  dominical com meninos de bairro 


ikuo contando historinha biblico para crianças

paulo kawahara
jorge kawahara
alam e julia saiki
eu cabeludo "penteado natural" , samuel ikuta, lidia saiki e jorge


edna obara
marcia obara
mano mitio


mano ikuo




bicicletas

estive em amsterdam em abril de ano passado, bem no dia que o vulcão Eyjafjallajokull  fez PUMgraças ao pum, fiquei 5 dias passeando nos canais de amsterdam, e uma das coisas que me impressionou foi a quantidade de bicicletas na rua, quer dizer nas ciclovias. e se quiser entrar no metro com bicicleta, ok, tudo equipado para isso.








amsterdam - holanda


copennhagen - dinamarca


afuá - brasil

05 maio 2011

último haikai do totyan

isack, acha nas coisas de totyan.

ao outono vindouro
meus cumprimentos
tenho para mim que
com tenacidade
ter vivido

diálogo 2

(continuação do diálogo)
quando há concordância/discordância?
(comunhão? empatia? comungar? compartilhar?)
estou ouvindo?

30 abril 2011

5 meses na labura

botaram mão na massa: koide, andré, leo, axel, felix, anando, laura, naline, thais, donizete, zicão, mikael, matheus, daiki, miguel, aninha, evelyn, dani, gui, nana, bianca, kawaguchi, lieko, maeda, tomo, masaharu, lucio, nanako, manu, kaiki, takuya, kuma, youhei, yasu, kazuko, gabriel, etc...




tempo passado

ao longo do tempo passado
quando esteve triste
quando esteve inseguro
quando esteve sem saída
quando sentia desamparo
quando sentia rancor
quando sentia ...
quando deparava com estas situações
será que olhava para a raiz destes sentimentos?
consta-se que
ora tentava resolver ocupando em fazer isso/aquilo
ora conformava com teoria e explicações
ora colocava culpa na época
ora responsabilizava a criação recebida
sempre tentando ajustar a lógica na superfície
nunca olhando para si
nunca olhando para o que está por trás

25 abril 2011

diálogo

( concentrado de páscoa 2011 )

ouvir - falar usando as palavras
as palavras não são as mesmas
pessoas diferentes - cada um, cada um
a minha palavra =diferente= a palavra dela
não é comum

dentro de cada pessoa,
a palavra tem o significado próprio e único,
de acordo com o processo da vida, o ambiente que viveu, a sua subjetividade
(não se trata das línguas portuguesa ou japonesa, dicionários...)

quando tento "ouvir", captando as palavras
se a atenção está voltada para as palavras
é porque está limitado na ação cognitiva
dentro da minha maneira própria de captação

(tento, tentarei)
voltar a atenção
não na "palavra" (irreal) [a manifestação]
mas na "pessoa" (real) [o que está por trás da manifestação]

e daí? ...

continua no diálogo 2

a felicidade

Felicidade. 6 bilhões de Outros from GoodPlanet on Vimeo.

11 abril 2011

o zero, o início e esse eu

esse eu ... 
que não é de ninguém

esse eu ...
que se examinar a partir do zero (posição zero)

esse eu ...

que na origem, não existia


aí ... 
o início ...
a vida ... 
o corpo ... 
a inteligência ...

05 abril 2011

colagens


Deus e Pós Morte

Achei esse grafico, deixando de lado, a dúvida quanto a veracidade dos dados, é interessante notar que Japão é onde a porcentagem de "agnósticos", "ateistas", e "teistas" estão em proporções equilibradas, isto é, 33% para cada posição.

as

22 março 2011

religião é

Normalmente chama-se de religião as organizações cristães, budistas ou islamicas, ms não se trata disso, é algo que cada um crê e não há reflexão, não se olha e não aceita os outros, fixa-se em algo dizendo "é isto", pode-se dizer que religião é isto.

Veja se não tem em cada uma das pessoas. É algo que ensina para si mesmo. E algo que diz para outros que "isto é o correto", é algo que se ensina. Penso que é necessário em primeiro lugar fezer esta conceituação da religião. (M.Y. - 1960.08 - 2a.kensan da razão)

21 março 2011

ouvir

[ ouvir ]  uma ação que tenta compreender o outro (deveria ser)
mas o que se faz na realidade, na maioria das vezes é : "como vou responder", "eu penso assim", "como vou reagir"...
comomeça e termina sendo uma ação onde os pensamentos se desenrolam no limite de dentroda sua cabeça


isto é, existe a [ ação de ouvir] , como uma ação que direciona a atenção e interesse no outro
mas que na realidade, o que se faz é direcionar a atenção nas coisas que surgem na sua própria mente, e faz desenrolar em várias direções.


a ação de ouvir seria a ação de direcionar a atenção e intersse no outro.
mas na realidade
é um estado em que a atenção está voltado ao que acontece dentro da sua própria cabeça

significa que a atenção está voltada em direção contrária

pensa em ouvir o outro
mas o que faz é direcinar a atenção nas suas coisas

um apego a coisas de si

se alguém diz:
- "essa comida não é gostoso" - recebe como crítica a si
- "esse relatório está a desejar" - desculpe, não tive tempo..., tenta falar de si
- "não gostei disso" - é porque isso aquilo..., tenta justificar

é claro que se deve falar o que quer falar ao outro
mas antes de mais naada, ouvir o que o outro quer ouvir, compreender, e depois disso, se tiver algo que queira falar, falar...

antes de ouvir o que o outro quer falar, de compreender o outro, estão as minhas idéias, se quero ou não quer fazer.... começa pensar nas suas coisas..... está apegado em sim

não ter atenção ao outro, na realidade, já em em si, um estado de apego ao "eu"

by M.O.

20 março 2011

cooperativismo e corpo único

é parecido mas difetente, é o contrário

cooperativismo - opera junto porque há mérito. juntos enquanto há ganho. quando acaba a vantagem de fazer junto, perde sentido em operar junto, e isso é considerado como natural. junta ou separa dependendo se há mérito ou não, é algo relativo.

corpo único - é algo absoluto, que não se separam nunca em qualquer que seja a situação. mesmo que esteja objetivando o "corpo único", se é algo relativo que espera o seu mérito, não é "corpo único".

19 março 2011

vamos reconstruir ! ! !

esses velhinhos foram socorridos depois de 3 dias no 3o. andar. " estou bem, vamos reconstruir!!" respondeu ao repórter.
http://colunas.epoca.globo.com/falamundo/2011/03/16/vamos-reconstruir-outra-vez/


Samuel Bowles - "Charles Darwin estava errado"

Entrevista - IstoÉ
N° Edição:  2158 |  18.Mar.11 - 21:00 |

Samuel Bowles

"Charles Darwin estava errado"
Economista americano critica a teoria da evolução e diz que os seres humanos progrediram graças aos grupos mais altruístas
Solange Azevedo
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GENEROSIDADE
Bowles afirma que o mundo está se tornando mais altruísta
O americano Samuel Bowles, 71 anos, é dono de um currículo invejável. Ph.D. em economia pela Universidade Harvard, onde também foi professor durante quase uma década, atualmente ele dirige o Programa de Ciências Comportamentais do Instituto Santa Fé, na capital do Novo México, e leciona na Universidade de Siena, na Itália. Autor de diversos livros, Bowles foi conselheiro econômico em Cuba, na Grécia, do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela e dos ex-candidatos à Presidência dos Estados Unidos Robert F. Kennedy e Jesse Jackson. Seus estudos sobre a evolução genética e cultural dos humanos têm repercutido em publicações de prestígio, como as revistas “Nature” e “Science”, porque põem em dúvida nada menos do que a teoria da evolução, de Charles Darwin, e a ideia de que os homens são inteiramente egoístas. “O comportamento humano é muito mais complexo do que a teoria da evolução supõe”, diz Bowles. “A seleção natural pode, sim, produzir espécies altruístas e cooperativas.”

- O sr. defende a ideia de que a gentileza foi fundamental para a evolução humana. Por quê? 
Samuel Bowles - A teoria da sobrevivência do mais gentil é uma crítica à teoria da sobrevivência do mais apto, de Charles Darwin. Diversas pesquisas feitas nos últimos anos, muitas delas por mim, têm mostrado que a seleção natural pode, sim, produzir espécies altruístas e cooperativas – em vez de seres humanos inteiramente egoístas. Darwin estava errado. 

-
Como o sr. chegou a essa conclusão? 
Samuel Bowles - Por inúmeros fatores. A maioria das pessoas, em certas situações, é completamente altruísta. Muitas vezes, elas são generosas inclusive com estranhos e são extraordinariamente corajosas ao servir suas nações ou suas famílias. Como quando ocorrem desastres naturais ou para defender uma causa. Essa evidência de que os seres humanos não são inteiramente egoístas tem sido bastante estudada recentemente. Há diversos experimentos feitos em laboratórios que mostram que indivíduos que recebem dinheiro para dividir com outras pessoas, em geral, são generosos. Na maioria das vezes, eles fazem isso anonimamente, quando não estão sendo vigiados. Nesses experimentos, a maioria das pessoas não age de maneira egoísta, como costumávamos imaginar no passado, à luz da teoria da evolução.

- Como as pessoas agem? 
Samuel Bowles - Às vezes, são incondicionalmente altruístas, do tipo Madre Tereza de Calcutá. Em outros momentos, só são altruístas enquanto outras pessoas do grupo também agem assim. As pessoas têm compromissos morais. Claro que, em muitas situações, agem por interesse próprio. O egoísmo é uma parte importantíssima do repertório humano e não pode ser ignorado. Mas é fundamental ter em mente que o comportamento humano é muito mais complexo do que a teoria da evolução supõe. 

- Quais sociedades o sr. ­es­­tudou? 
Samuel Bowles - Tive o privilégio de estudar um grande número de sociedades em várias partes do mundo. Junto com um time de economistas e antropólogos, estudei 15 grupos na África, na Ásia e em países da América Latina, como Peru, Equador e Paraguai. Nesse experimento, demos dinheiro para algumas pessoas dividirem com outras. A regra era: se a segunda pessoa aceitasse a quantia que a primeira ofereceu, o jogo terminaria. Mas, se rejeitasse, as duas não ganhariam nada. Supondo que uma pessoa egoísta, que recebeu US$ 10, ofereça apenas US$ 0,50, se a segunda pessoa também é egoísta, ela vai aceitar achando que é melhor ganhar 50 centavos do que sair com os bolsos vazios. Mas isso não ocorre com frequência. Ofertas pequenas, quase sempre, são rejeitadas. E as pessoas rejeitam por raiva, para punir o egoísta. Alguém pode pensar: ‘Eram só US$ 10’. Em experimentos com grandes quantidades de dinheiro os resultados têm sido os mesmos. Por generosidade ou por medo da rejeição, quase todas as ofertas ficam próximas de 50%. Estudos como esse foram feitos em pelo menos 35 universidades e 40 países. 

 - 
Os resultados o surpreenderam? 
Samuel Bowles - Não, pois tenho estudado o comportamento humano durante toda a minha vida. Se assistirmos à tevê, vemos que há muita gente fazendo coisas incríveis e perigosas para defender uma causa. As manifestações nas ruas do Cairo, no Egito, são um claro exemplo. Talvez, muitos economistas se surpreendam porque acreditam que o ‘homem econômico’ é egoísta. Muitos biólogos também, porque acreditam que a seleção natural só é capaz de produzir animais egoístas. Essa interpretação equivocada da teoria de Darwin é mostrada num livro que será lançado em breve, do qual sou coautor, chamado “Uma Espécie Cooperativa: Reciprocidade Humana e sua Evolução”. 

-
A espécie humana é essencialmente cooperativa? 
Samuel Bowles - Exatamente. A questão central não é por que pessoas egoístas agem de maneira generosa, mas como a genética e a evolução cultural produziram uma espécie em que um número substancial de pessoas se sacrifica para manter as normas éticas e para ajudar, inclusive, pessoas estranhas. A seleção natural e a transmissão genética de pais para filhos podem, sim, produzir espécies cooperativas. Os primeiros seres humanos – de 50 mil anos atrás, dez mil anos atrás e assim por diante – viveram em condições adversas, de variações climáticas e desafios diante de outros grupos, em que indivíduos egoístas teriam sido bastante prejudiciais na competição pela sobrevivência. Os grupos mais cooperativos foram mais capazes de se reproduzir em larga escala. Creio que essa foi a razão de a espécie humana ter se tornado cooperativa. 

- Há sociedades mais altruístas e outras menos? 
Samuel Bowles - Há algumas sociedades em que, em tese, todo mundo oferece a metade para a outra pessoa e outras em que oferece 40% ou menos. Mas, surpreendentemente, também há locais em que as pessoas oferecem mais da metade. Nós, estudiosos, ainda não sabemos o suficiente para generalizar o grau de altruísmo no mundo. O que sabemos é que, em geral, menos de um terço das pessoas é egoísta. Ao contrário do que diz o senso comum, as sociedades mais avançadas economicamente – como os Estados Unidos e países europeus – não são mais nem menos egoístas do que países africanos, asiáticos ou latino-americanos. 

- A teoria da sobrevivência do mais apto e a da sobrevivência do mais gentil é mais ou menos presente, dependendo da sociedade estudada? 
Samuel Bowles - Não há uma única sociedade que eu estudei e onde experimentos tenham sido feitos que tenham confirmado a hipótese do “homem econômico egoísta”. Posso dizer, com certeza absoluta, que não há uma única sociedade já descoberta na qual os pressupostos dos economistas ou os da seleção natural – de que a espécie humana é inteiramente egoísta – tenham sido confirmados. O que temos são vários graus e diferentes tipos de altruísmo coexistindo com o autointeresse. 

- O altruísmo pode ser aprendido? 
Samuel Bowles - Certamente. Acreditava-se, no passado, que o comportamento altruísta ficava restrito a membros de uma mesma tribo ou vila ou limitado a grupos linguísticos. Mas, agora, sabemos que o altruísmo pode se estender pelo mundo todo. Muitos de nossos valores são influenciados pela nossa constituição genética. Mas também somos seres culturais, aprendemos através de exemplos – com as lições de nossos pais, professores, vizinhos, líderes nacionais e internacionais. Tenho 71 anos. Na minha juventude, era impossível imaginar que um afro-americano seria eleito presidente dos Estados Unidos, já que alguns tipos de espírito cívico não existiam nos anos 1950 e 1960. 

 -
De acordo com a sua teoria, como o comportamento altruísta influenciou a evolução cultural e genética dos humanos? 
Samuel Bowles - A pessoa é altruísta, de acordo com biólogos e também segundo a minha definição, se ajuda os outros sacrificando a si mesma. Para os biólogos, isso significa ajudar as outras pessoas a se adaptar, produzir mais crianças e cuidar delas até que elas próprias possam se reproduzir. Para os biólogos, no entanto, esse tipo de sacrifício só seria possível entre irmãos ou parentes próximos. Porque, se a pessoa abrir mão do próprio sucesso reprodutivo para ajudar um desconhecido, seu tipo altruísta é eliminado. O problema é que essa teoria desconsidera uma questão importantíssima: seres humanos vivem em grupos e nós sobrevivemos por causa disso. Se estivéssemos num grupo em que todos são egoístas, ele funcionaria precariamente e acabaria extinto. 

 -
Países e empresas poderiam ser mais bem administrados à luz dessa teoria? 
Samuel Bowles - Claro. Filósofos e advogados fizeram e ainda fazem leis baseadas no pressuposto de que as pessoas são completamente egoístas. Isso é um erro. Acredito que esse equívoco nos remeta ao filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527). Em um de seus escritos, Maquiavel afirmou que todo mundo é perverso, que a raiva torna as pessoas engenhosas e que a lei as tornaria boas. Pesquisas mostram que tratar as pessoas como egoístas pode ser um incentivo para que elas ajam de maneira egoísta. 

- Como assim? 
Samuel Bowles - Essa tese foi comprovada em muitas ocasiões. Uma delas em Israel. Em várias creches de lá, foi imposta uma multa para os pais que chegassem mais de dez minutos atrasados para buscar seus filhos. A proporção de atrasados dobrou a partir do anúncio da multa. Nas creches onde não havia essa regra, no entanto, a proporção permaneceu inalterada. Quando não havia multa, os pais sentiam estar violando uma norma ética e atrapalhando o andamento da escola e a rotina dos professores. Depois, chegar atrasado virou uma mercadoria que os pais poderiam comprar. 

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O mundo está se tornando mais altruísta ou mais egoísta? 
Samuel Bowles - Está se tornando mais altruísta ou, pelo menos, de espírito mais público. Parte disso ocorre porque nos tornamos mais universais e menos nacionalistas. Se nós considerarmos 50 anos atrás, a maioria de nossas conexões era com nossas famílias e pouquíssimas pessoas de fora.