29 julho 2011

eu - eles - nós

eu
fui traído
por quem?
por mim mesmo

eles
fazem
o que fazem
por elas mesma

nós
nos iludimos
de que as pessoas
agem conforme o nosso querer

19 julho 2011

Crenças e preconceitos moldam reação das pessoas a prazer e dor

Um vinho barato com rótulo de bebida cara parece ser mais gostoso, diz pscicólogo, assim como o mesmo cheiro pode ser agradável ou nojento dependendo do contexto em que é encontrado por diferentes pessoas


VAGUINALDO MARINHEIRO

Paul Bloom, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Yale (EUA), quer entender por que o conhecimento e as nossas crenças interferem na forma como sentimos prazer, seja ao beber um vinho, ver uma obra de arte ou fazer sexo.

Autor do livro "How Pleasure Works" (Como o Prazer Funciona), Bloom diz que, ao sentirmos prazer, respondemos a coisas mais profundas do que gosto, cheiro ou aparência. Na verdade, diz, nosso prazer é guiado pelo que sabemos, ou julgamos saber, sobre o objeto ou a pessoa com os quais interagimos.

"Mesmo nos prazeres mais animais, somos influenciados por aquilo em que acreditamos", diz o pesquisador.
Bloom, 47, também estuda o comportamento moral de bebês e diz que a crença de que todas as crianças são anjos está errada. "São humanos como eu ou você. Têm impulsos bons e maus."

O psicólogo, cuja disciplina de introdução à psicologia está disponível de graça para download(oyc.yale.edu/psychology/introduction-to-psychology), esteve na semana passada em Edimburgo, onde participou da TEDGlobal, série de palestras sobre inovação.
Após falar para uma plateia de 850 pessoas, ele conversou com a Folha. Confira os melhores trechos da conversa abaixo.


03 julho 2011

crer e duvidar

duvidar de tudo
ou
crer em tudo
tanto faz
são comodidades
nos dispensam
de refletir
de ser
humano

sempre tem a primeira vez ?

você diz
tenta fazer tudo
sempre
como se fosse
a primeira vez

no entanto

na essência
no fato
no real
é sempre
a primeira vez

02 julho 2011

o que vem antes? (c)

será que existe
entre eu e voce
o reconhecimento mútuo
do que seja o ser humano? (essencialmente falando)
sem isso
fazer juntos
as eco-vilas, as comunidades, o caixa único, o uso-comum, as vilas yamaguishis, etc
não passa de
aparência cromada
cópia
cópia da cópia

o que vem antes? (b)

será que existe
entre eu e voce
o reconhecimento mútuo
do corpo único? (essencialmente falando)
sem isso
fazer juntos
as eco-vilas, as comunidades, o caixa único, o uso-comum, as vilas yamaguishis, etc
não passa de
aparência cromada
cópia
cópia da cópia

o que vem antes? (a)

será que existe
entre eu e voce
o reconhecimento mútuo
de que não é de ninguém? (essencialmente falando)
sem isso
fazer juntos
as eco-vilas, as comunidades, o caixa único, o uso-comum, as vilas yamaguishis, etc
não passa de
aparência cromada
a cópia
a cópia da cópia

[Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada]


El Cielo de Canarias / Canary sky - Tenerife from Daniel López on Vimeo.

http://poesiasalbertocaeiro.blogspot.com/2007/09/h-metafsica-bastante-em-no-pensar-em.html

by Caieiro (Fernando Pessoa)


O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.


Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?


Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).


O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.


Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?


"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.


Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.


O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!


(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)


Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.


Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.


E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.