07 junho 2022

Como seres humanos falavam na Idade da Pedra?

Mark Pagel
The Conversation *
7 junho 2022
"Como as pessoas falavam na Idade da Pedra?", quis saber Tsubamé**, um menino de 8 anos, de Londres, no Reino Unido.

A Idade da Pedra se refere a uma época no passado distante. Começou há cerca de 3 milhões de anos e durou até aproximadamente 40 mil anos atrás.

É chamada de Idade da Pedra porque durante este período nossos ancestrais distantes faziam suas ferramentas a partir de pedras.

Humanos como nós — a espécie Homo sapiens — surgiram muito tempo depois do início da Idade da Pedra, há apenas aproximadamente 200 mil anos.

A Idade da Pedra começou quando várias espécies de primatas começaram a fabricar ferramentas simples lascando pedaços afiados de pedra a partir de pedaços maiores de rocha. Estes primatas ficavam parcialmente de pé quando andavam e isso significava que suas mãos estavam livres para fazer, entre outras coisas, ferramentas.

Estes primeiros primatas eretos tinham cérebros pequenos, não muito diferentes do cérebro de um chimpanzé, e não falavam.

Outros primatas que andavam eretos surgiram mais tarde na Idade da Pedra. Eles receberam nomes como Homo habilis (homem habilidoso) ou Homo erectus (homem ereto).

Estas espécies viveram na África há cerca de 1 a 2 milhões de anos, ainda muito antes de pessoas como nós existirem.

Eles tinham cérebros maiores que os primeiros macacos eretos, mas ainda eram menores que os nossos. Não eram tão inteligentes quanto nós e não falavam, embora emitissem sons.

Há cerca de 400 mil anos, três espécies que tinham cérebros muito maiores do que os primeiros macacos eretos viveram por volta da mesma época.

Foram chamadas de neandertais, denisovanos, formas primitiva sda espécie Homo sapiens — nossos ancestrais.

Os neandertais e os denisovanos viveram fora da África na parte do mundo conhecida como Eurásia, que inclui a Europa.

Pouco se sabe sobre os denisovanos, mas por volta de 100 mil anos atrás, os neandertais tinham lanças de madeira e algumas ferramentas simples feitas de ossos de animais, como veados, além de ferramentas feitas de pedra.

Algumas pessoas acreditam que, por causa dos cérebros grandes e da capacidade de fazer outras ferramentas além das de pedra, os neandertais podiam falar.

Mas isso é só um palpite. O último dos neandertais morreu há cerca de 40 mil anos.

Gente como a gente
Os primeiros humanos viveram na África. Por volta de 200 mil anos atrás, o Homo sapiens primitivo havia evoluído para o que chamamos hoje de humanos modernos.

Estes humanos modernos eram tão inteligentes quanto nós hoje e podiam falar usando a linguagem exatamente como fazemos hoje. Homo sapiens significa "humanos sábios".

Mais tarde na Idade da Pedra, há cerca de 60 mil anos, essas pessoas viajaram para fora da África e acabaram se espalhando pelo resto do mundo.

Logo no início, até mesmo nossos ancestrais Homo sapiens só faziam ferramentas de pedras, mas tendo a capacidade de falar, provavelmente usaram a linguagem para ensinar uns aos outros.

Com o passar do tempo, aprenderam a fazer vários tipos diferentes de ferramentas de pedras, madeira, ossos e couro.

Eles tinham roupas, sapatos e faziam abrigos, além de caçar juntos.

Por volta de 40 mil anos atrás, e possivelmente até antes, os humanos modernos desenhavam imagens nas paredes das cavernas.

É provável que muito menos línguas diferentes tenham existido na Idade da Pedra do que hoje. Mas as línguas que existiam teriam estruturas parecidas com as das nossas línguas modernas.

As pessoas falariam por meio de frases com substantivos e verbos, embora as palavras usadas fossem diferentes, assim como, digamos, as palavras japonesas são diferentes das palavras inglesas ou francesas.




Línguas diferentes
As línguas de diferentes tribos devem ter sido diferentes.

Provavelmente era difícil falar com alguém de outra tribo, assim como quando viajamos para outro país às vezes temos dificuldade de entender o idioma.

Acredita-se que as línguas tivessem menos palavras do que hoje porque eles não precisavam de palavras para coisas como televisão, carro ou computador.

Mas, assim como nós, os humanos modernos de 200 mil anos atrás devem ter contado as coisas. Teriam palavras para "mãe" e "pai" ou "irmã" e "irmão".

Teriam nomes para animais e plantas, seriam capazes de fazer planos, dizer "por favor" e "obrigado" — e teriam nomes um para o outro.

Os primeiros humanos modernos provavelmente falavam sobre muitas das mesmas coisas que falamos: o que comer, quem eram seus amigos.

Os pais teriam falado sobre seus filhos, e as crianças teriam brincado umas com as outras, provavelmente falando o tempo todo como as crianças fazem hoje. Também teriam cantado músicas uns para os outros.

Podem ter sido pessoas da Idade da Pedra, mas eram modernas quando se tratava de falar.

* Mark Pagel é professor de biologia evolutiva na Universidade de Reading, no Reino Unido.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

31 maio 2022

recado


um recado
o que contém no recado
não são as palavras
por trás das palavras
tem pessoas, pessoas envolvidas
a vontade, os desejos sinceros de cada um.

23 maio 2022

ato e ação

ato é uma manifestação da vontade humana,
já ação dentre suas definições pode ser uma manifestação de uma força agente, exemplo: a ação do remédio.

ações são escolhas que tomamos inconscientes de nossa capacidade humana e
atos são as decisões que tomamos buscando um propósito maior do que apenas viver o agora.

09 maio 2022

distanciamento

distanciamento
e indiferença
desatenção
falta sentida
.



02 maio 2022

palavras e ações (a forma e o conteúdo)

 é muito nítido a minha atração

pelas pessoas alegres (que aparenta alegria)
(principalmente pelas figuras femininas)
mas é apenas uma manifestação

2+2=4
o resultado (que se manifestou) é 4

1+3=4
mas poderia ter sido 1+3, a manifestação é o mesmo 4

poderia ser 1+1+1+1, também o resultado é 4

a forma e o conteúdo

28 abril 2022

16 abril 2022

Noiva do Cordeiro: a vila das mulheres

(Por Arnaldo Silva) Noiva do Cordeiro é distrito da cidade de Belo Vale, no Vale do Paraopeba. A cidade está a 82 km de Belo Horizonte e Noiva do Cordeiro a 17 km distante de Belo Vale.

11 abril 2022

diferença entre pensar e achar

 「思う」と「考える」の意味はどういうふうに違うのですか。

思うと考えるの意味はどういうふうに違うのですか



09 abril 2022

Três comportamentos em que "pessoas com baixa auto-estima" se envolvem

Estou fazendo isso para não me machucar mais


O que as pessoas com baixa autoestima fazem para se protegerem
É cada vez mais conhecido que a "autoestima" é importante para viver a vida que se deseja, mas algumas pessoas podem não estar cientes de que têm baixa autoestima. Este artigo introduz as "medidas de autoproteção" que as pessoas com baixa autoestima, consciente ou inconscientemente, tomam para evitar que sejam mais prejudicadas, do livro "A Psicologia da Compreensão do Verdadeiro Ser" de Stefanie Stahl, uma psicoterapeuta com longa experiência como psicoterapeuta.

01 abril 2022

'Não precisamos do amor romântico em nossas vidas', diz especialista em relacionamentos

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27 março 2022


Nas sociedades ocidentais, o amor costuma ser apresentado por meio do clichê de duas metades que se encontram para se sentirem completas. A história é reproduzida com frequência na literatura, cinema e televisão, mas pode ser bastante danosa quando enfatizada na realidade.

14 março 2022

Real x Realidade

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Quando eu era adolescente tive uma grave crise de identida. Eu duvidei de minha própria existência e do mundo em minha volta. Depois de passar por ela, e lendo Descartes na minha maturidade, cheguei à algumas conclusões interessantes que podem ajudar vocês.

19 fevereiro 2022

risadas

1. Risada profunda
É um dos tipos de risada que identificamos como contagioso, perfeitamente audível e até mesmo um gesto profundo, pelos movimentos diafragmáticos que implica. É considerado o mais verdadeiro, uma vez que inúmeras estruturas neurais estão envolvidas. Uma de suas principais características é que ele é involuntário, portanto, é muito genuíno. É conhecido como sorriso de Duchenne.

16 fevereiro 2022

o pensamento

Em terceiro lugar, estas curiosas características ligadas à atividade de pensar surgem da retirada, inerente a todas as atividades do espírito; o pensamento sempre lida com ausência e abandona o que está presente e ao alcance da mão.(Hannah Arendt)

06 fevereiro 2022

Stefanie Stahl

A diferença decisiva entre a "auto-estima alta" e "auto-estima baixa" na infância.O que acontece a cada um de nós nos dois primeiros anos de vida. Stefanie Stahl

Diz que a auto afirmação baixa ou alta é determinada
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02 janeiro 2022

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Com a sua cabeça no modo "tem coisa a fazer", não consegue ver a pessoa. 

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0 Verd4deir0 Cri4d0r de Tud0




Bom, eu gostaria hoje de falar com vocês sobre o cérebro humano evidentemente, mas numa forma que, a minha experiência profissional de quase 40 anos, e completo agora em Janeiro 40 anos de carreira.

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A curta e triste vida de Dina Sanichar, o menino feroz que inspirou Mogli

https://misteriosdomundo.org/conheca-dina-sanichar-o-indiano-que-inspirou-a-historia-de-mogli/

A história de Mogli, o menino lobo, é uma das mais conhecidas do folclore internacional, e diversas adaptações do conto já foram realizadas ao longo do tempo. O que talvez você não saiba é que o a história original, escrita por Rudyard Kipling, foi inspirado em uma história verdadeira.

09 outubro 2021

heladio & luci



eu, luci e heladio, preenchendo lacuna de alguns anos, compartilhando vida vividas, histórias não contadas,

20 setembro 2021

Por que o futuro não existe, para o autor de 'Seu cérebro é uma máquina do tempo

Alejandro Millán Valencia
BBC News Mundo
19 setembro 2021


Dean Buonomano é autor do livro 'Seu cérebro é uma máquina do tempo' e pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles


"Como a natureza fez para criar um relógio a partir de neurônios?"
Como essa pergunta como ponto de partida, Dean Buonomano, professor de neurobiologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), começou a investigar a forma como nosso cérebro percebe o conceito de tempo.
E várias de suas conclusões o levaram a escrever Your Brain is a Time Machine - The Neuroscience and Physics of Time (em tradução livre, Seu cérebro é uma máquina do tempo - a neurociência e a física do tempo), no qual aborda várias teorias sobre a funcionalidade objetiva da memória e como nosso cérebro tem "vários relógios" que calculam o tempo.
É por isso que várias revistas especializadas o descrevem como "um dos primeiros neurocientistas a se perguntar como o cérebro humano codifica o tempo".
Em meio a uma pandemia que alterou nossa percepção do tempo, a reportagem da BBC News Mundo (serviço da BBC em espanhol) entrevistou Buonomano a respeito do assunto e sobre temas como livre arbítrio.


BBC - O livre arbítrio é uma ilusão?
Dean Buonomano
- Já dedicamos muito tempo a pensar e a escrever sobre o tema, mas poucas vezes nos dedicamos a defini-lo.
Acho que eu começaria por aí: como você definiria o livre arbítrio? O que ele significa para você?

BBC - É difícil. Diria que é a capacidade do ser humano de tomar decisões, mas essa definição pode ser insuficiente. Então devolvo a pergunta: temos livre arbítrio?
Buonomano
- Como você acaba de dizer, a resposta da pergunta depende da forma como se escolha definir livre arbítrio. Eu escolho a definição, tenho essa liberdade. É uma decisão tomada pelo meu cérebro.
E, novamente, uma forma de explicá-lo é dizendo que o livre arbítrio são decisões tomadas pelo meu cérebro, que por sua vez define o que é livre arbítrio. Por isso é algo que vai além da ciência ou da física, as transcende.
Digo isso porque, de acordo com as leis da física, o livre arbítrio não existe como tal, porque deve obedecer às leis da física.
Então aqui entra em jogo outro elemento: o determinismo.
E isso nos dá duas visões: a de que o futuro não existe e a de que ele já está determinado, já está previsto.


Seria o livre arbítrio uma ilusão?


A primeira versão sinaliza que o futuro não existe, porque ainda não tomamos as decisões que nos vão levar a ele; e a segunda, a de que ele pode estar definido porque não podemos escapar das leis da física.
Mas vamos colocar isso em termos práticos. E aí acho que podemos dizer que o futuro não existe, porque é impossível prever o que as pessoas vão fazer ou como vão se comportar.
Por exemplo, se eu te peço que escolha um número entre zero e mil, é impossível que eu adivinhe qual número você vai escolher. Nessa escolha entram inúmeros fatores, além de eu não ter todas as informações necessárias para poder adivinhar sua escolha.
Como você vê, é um sistema caótico e difícil de se prever; no entanto, segue sendo governado pelo poder da física.
O que quero dizer é que a gente se sente incômoda com a ideia de que nossas decisões sejam limitadas ou determinadas por leis da física. E, mesmo que não gostem, elas o são. Por isso, podemos dizer que o livre arbítrio é uma ideia, uma ilusão.

BBC - Mas como como entra nisso tudo o indivíduo, ou o cérebro dele, que é o centro da sua pesquisa?
Buonomano - 
O que eu acabei de dizer não significa que na prática todas as ações sejam predeterminadas.
O que eu acredito que é importante é abraçar o fato de que as minhas decisões, meu livre arbítrio, é consequência da gestão de complicadas redes de informação que são ou foram processadas pelo meu cérebro.
E essa informação processada depende de todas as experiências que eu tive na vida. Dependerá do lugar onde cresci, do que aprendi quando era pequeno, dos países que visitei, porque tudo isso molda meus circuitos neurais.
Por isso gosto de pensar no livre arbítrio como todo esse processo que ocorre no meu cérebro.

BBC - De acordo com essa resposta, e com vários dos seus ensaios e livros, também se pode concluir que o futuro já existe e está predeterminado?
Buonomano - 
Não. Nisso é preciso ter dois pontos de vista que, como você destaca, partem do que falamos antes e têm a ver com a natureza do tempo.
De um lado está uma visão chamada presentista, que diz basicamente que só o presente é real. E que o passado foi real (quando ocorreu).
Ou seja,posso recordar coisas do passado e o futuro não está determinado. Essa é uma versão quase intuitiva, que quase todos os seres humanos temos.
E, além disso, como não podemos mudar o passado, sente-se que nossas decisões estão, de alguma maneira, dando forma a nosso futuro/
Agora, há outra visão chamada eternalismo, ou universo em bloco.
Essa visão aponta que todos os momentos do tempo são iguais, do mesmo modo como todos os pontos no espaço são reais.
Por exemplo: Londres e Los Angeles são duas cidades reais, que existem. Eu estar parado em um desses pontos - Los Angeles - não quer dizer que o que se passa em Londres deixa de ser real.


Recordações têm uma função importante no cérebro em sua tentativa de prever o futuro, afirma neurocientista

O que essa teoria quer dizer é que o tempo é uma dimensão, como o espaço, em que todos os momentos do tempo são igualmente reais, mesmo que uma pessoa não possa senti-los ou vivê-los porque está presa em um momento - em seu presente.Essa visão aponta que, da mesma forma que não posso sentir o que acontece em Londres neste minuto, tampouco poderei sentir com o que vai acontecer no futuro, mas isso não significa que não seja real.

BBC - O senhor está mais próximo à primeira visão (presentista).
Buonomano - 
O eternalismo, de muitas maneiras, sugere que a nossa percepção de tempo está distorcida ou é uma espécie de ilusão.
Por quê? Porque para nós é difícil mudar a noção de que o futuro é algo real, como se esse caminho já existisse. Então, se o eternalismo estiver certo, nossa visão de tempo (e do mundo em geral) seria enganosa, porque a maioria de nós concorda que sente como se o passado se esvaneceu e o futuro ainda está em aberto.
Essa visão sugere que, possivelmente, nossa intuição e percepção estão muitas vezes equivocadas, mas eu discordo disso muitas vezes porque nossas intuições e percepções se adaptam e evoluem para nos ajudar a sobreviver - novamente - em um universo controlado pelas leis da física.
Por isso, nossas intuições, na minha opinião, provavelmente estão certas, motivo pelo qual sou presentista.

BBC - Ou seja, o futuro não existe?
Buonomano - 
Não acredito na ideia de que o futuro de alguma maneira exista, ou de que o passado exista de uma forma real.
Acho que só o presente é real. Mas ao dizer algo assim tenho que tomar muito cuidado com a teoria da relatividade.
Porque o ser presentista não significa que todos tenhamos o mesmo presente. Não implica, de forma alguma, que haja um presente absoluto.
Por exemplo, sabemos que os relógios mudam dependendo da velocidade de seu potencial gravitacional. Ou seja, isso implica essa parte da relatividade que aponta que a velocidade com que muda um relógio ou a taxa da passagem do tempo que o relógio conta depende dos efeitos do potencial gravitacional.
A magnitude desse potencial aumenta e diminui conforme a proximidade ao centro de gravidade, seja na Terra ou no espaço. Tudo isso para dizer que os relógios mudam a ritmos diferentes.
O que nos deixa claro que não há um presente absoluto ou mesmo um tempo absoluto.

BBC - Qual a definição do tempo e por que ela é importante?
Buonomano -
Vamos voltar ao começo: depende do que definimos como tempo. (...) Em seu principal significado, tem a ver com uma medida de mudança, medida por um relógio.
Mas os fatos que vivemos, os lugares que visitamos, tudo nos faz pensar em versões relativas dessa mudança. Uma versão subjetiva do tempo. Por exemplo, o tempo que acabamos de viver devido à pandemia de covid-19 é totalmente diferente do que vivemos em anos anteriores.
Por isso se faz necessário tentar agrupar e medir de forma mais padronizada o possível essa mudança, porque nossa percepção do tempo varia muito em nossa mente.


Nossa percepção do tempo é subjetiva e mudou muito na pandemia, aponta Buonomano

BBC - Para o senhor, a pandemia mudou nossa ideia de tempo, então?
Buonomano
- Com certeza mudou, mas, novamente, isso tem a ver com a nossa percepção subjetiva do tempo, (...) que depende do contexto.
Se estamos fazendo algo que gostamos ou que nos inspira, é possível que sintamos o tempo passar mais rápido.
A pandemia fez alterar esse contexto, tanto para nossa percepção atual, do presente, quanto para nossa percepção em retrospecto.
Sentimos que os meses passam muito rapidamente. Mas quando olhamos para trás, quando nos falam de algo que aconteceu antes da pandemia, sentimos que faz muito tempo, talvez mais do que realmente passou se não tivesse havido uma pandemia no meio.

BBC - O senhor disse certa vez algo muito interessante, que o cérebro é uma máquina do tempo.
Buonomano - 
Isso tem a ver com dois conceitos.
O primeiro é o que entendemos por tempo e como se configura nossa concepção do tempo.
Segundo, nosso cérebro tem a habilidade de planejar o futuro. E faz isso usando o passado.
Eu me centrei na ideia de como o cérebro vai armazenando memórias que depois vai usar para nos orientar a seguir adiante. Minha grande motivação é poder ver como isso ocorre e porque o nosso cérebro faz isso.
E acho que uma conclusão a que cheguei é que nossas memórias e recordações estão aí para construir nosso futuro.
Não servem apenas para nossas tardes de recordação, quando dizemos que o tempo que passou era melhor. Elas têm um uso prático.


O futuro é um conceito difícil de ser processado pelo cérebro humano

BBC - Como isso ocorre na prática?
Buonomano - 
Acumulamos e mantemos nossa memória para sobreviver. Também o fazem os animais que estocam comida para o inverno: lembram onde colocaram os alimentos e voltam para buscá-los.
Nós fazemos isso de outra maneira. Nosso cérebro precisa saber o que vai acontecer e quando - se vai chover e quando. E para fazer esse tipo de cálculo precisa de tempo.
Tanto para os animais quanto para nós, é preciso aprender a nos movermos em nossos ambientes, em nossos habitats.

BBC - E como o cérebro processa isso?
Buonomano - 
Há muitas perguntas sobre como o cérebro percebe o tempo, como o conta, o recorda, como prevê o que vai acontecer.
Talvez a resposta mais precisa venha de se perguntar como o cérebro humano conceitualiza o tempo, como o conta e o abstrai.
As pessoas podem chegar a pensar que há uma espécie de relógio central, que mede tudo o que estamos fazendo. Mas sabemos que não é assim.
Sabemos que o cérebro não tem um relógio central que lhe permita contar o tempo nessa escala. Temos diferentes circuitos internos que classificam o tempo em segundos, em milésimos de segundos; outros em horas e outros em dias.
E aqui se incluem aqueles que controlam os ritmos circadianos, que marcam o relógio biológico das pessoas durante um intervalo de tempo.
O interessante disso é que, dessa forma, temos vários relógios internos que medem coisas diferentes entre si. E isso nos permite concluir que o tempo é algo fundamental no funcionamento do nosso cérebro.