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01 abril 2022

'Não precisamos do amor romântico em nossas vidas', diz especialista em relacionamentos

Julia Braun
Da BBC News Brasil em São Paulo
27 março 2022


Nas sociedades ocidentais, o amor costuma ser apresentado por meio do clichê de duas metades que se encontram para se sentirem completas. A história é reproduzida com frequência na literatura, cinema e televisão, mas pode ser bastante danosa quando enfatizada na realidade.

19 dezembro 2021

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Bom, eu gostaria hoje de falar com vocês sobre o cérebro humano evidentemente, mas numa forma que, a minha experiência profissional de quase 40 anos, e completo agora em Janeiro 40 anos de carreira.

24 novembro 2010

Sacks mostra como mente "cria" mundo

Novo livro do escritor aborda reconstruções da percepção quando área visual do cérebro tem descompasso
Cegos que ainda são capazes de "ver" e os mistérios da visão em 3D dominam nova obra do neurologista inglês


Moacyr Lopes Junior-19.5.05/Folhapress

Oliver Sacks em palestra em SP

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA 

Autor de romances policiais, o canadense Howard Engel chegou a imaginar que estava sendo vítima de uma estranha conspiração ao tentar ler o jornal numa manhã de julho de 2001.

"Quando eu focalizava as letras, ora pareciam cirílico [alfabeto do russo e de outras línguas eslavas], ora coreano", contou Engel em carta ao neurologista e escritor britânico Oliver Sacks. Não era um plano maligno da KGB: Engel tivera um derrame numa pequena área do lado esquerdo do cérebro.

Anedotas como essa se juntam como as peças de um quebra-cabeças em "O Olhar da Mente", livro de Sacks que acaba de chegar ao Brasil. A mensagem mais ampla é clara: não há nada de automático na maneira como achamos que vemos o mundo.

Histórias como as de Engel mostram que o conjunto olho-cérebro está menos para câmera digital e mais para simulador de realidade virtual, usando pistas às vezes enviesadas para construir um modelo do mundo na cabeça de cada pessoa.

Na entrevista abaixo, Sacks fala da relação entre ciência e literatura e diz que a interface entre cérebro e máquinas tem potencial para revolucionar o modo como os sentidos funcionam.
 
Folha - Como é que o sr. normalmente escolhe o fio condutor de um livro? O sr. começa com o tema na cabeça e depois busca relatos de pacientes que se encaixem na ideia, ou é o contrário?Oliver Sacks - Depende muito de quem me contata, do que acontece no meu cotidiano. Acidentes desempenham um papel muito grande para um médico. As coisas não são nem de longe tão sistemáticas quanto o cotidiano de um cientista.

Por que ainda é raro ver livros sobre ciência serem reconhecidos como literatura?
Fico tentado a dizer que algumas pessoas naturalmente vão gostar mais desse tipo de obra do que outras. Não penso em mim mesmo como um homem de letras. O que tento é dizer as coisas com a maior clareza e maior naturalidade possíveis.
Acho que é importante ler em voz alta. Quando escrevo, tento ouvir cada frase na minha cabeça, e acho que esse ouvido para o que se está escrevendo é crucial.

Os casos extremos que o sr. descreve ajudariam a mostrar que até as pessoas que chamamos de normais apenas usam seu cérebro para construir uma espécie de modelo do mundo, que nunca é a mesma coisa que o "mundo real" em si?
Em primeiro lugar, não penso em meus casos como extremos. Acho que eles apenas são os mais exemplares, digamos.
Quando falamos de coisas como o ato da leitura, ou a capacidade de reconhecer rostos, a tendência é considerar essas habilidades como algo natural. E as pessoas não têm a menor ideia de como essas coisas funcionam.
Isto é, a menos que você as analise. E ver pessoas cujas faculdades de reconhecimento foram esfaceladas faz, por exemplo, com que seja possível perceber que certa capacidade está associada a certa parte do cérebro.
Dessa maneira, você aprende que é possível saber o que a leitura ou o reconhecimento de rostos são em todas as demais pessoas. Ou seja: estudar um cérebro anormal lança muita luz sobre os cérebros normais.

Na última década, as pesquisas cujo objetivo é criar interfaces entre o cérebro humano e as máquinas avançaram muito. Qual o potencial dessas tecnologias para mudar a maneira como as pessoas percebem o mundo?
Conectar o cérebro a máquinas que possam se movimentar é muito empolgante para pessoas que ficaram paralisadas, pessoas que estão "trancadas" dentro do próprio cérebro por causa de alguma lesão e não possuem nenhum modo de se comunicar com o mundo exterior.
Na parte final do meu livro, abordo a chamada substituição sensorial, na qual uma câmera de vídeo é conectada a eletrodos implantados na língua do paciente.
Essa pessoa, então, é capaz de interpretar esses estímulos sensoriais na língua como uma percepção visual, mesmo que ela não enxergue. Isso não exige a implantação de eletrodos no cérebro. Mas nós vemos e ouvimos com nosso cérebro, e em breve vai ser possível -é algo que já foi conseguido em modelos animais- enxergar com essas interfaces.
E isso vai revolucionar a medicina.


Cérebro "maleável" explica estranhas habilidades

Uma palavrinha técnica crucial está por toda a parte no livro de Sacks e mostra que uma revolução na maneira como se entende o cérebro triunfou. O termo-chave é "plasticidade".
A plasticidade cerebral é o oposto da ideia de que não dá para ensinar truques novos a cachorro velho. Durante muito tempo, neurologistas e biólogos acreditaram que, depois de um "período crítico", da gestação aos primeiros anos de vida, o cérebro se tornava um órgão pouco maleável, incapaz de grandes reorganizações de funções e capacidades. Qualquer dano ao conjunto seria irreparável.
Muita coisa mudou, no entanto, a começar pela descoberta, nos anos 1990, de que o cérebro adulto é capaz de gerar novos neurônios. E o acompanhamento de pacientes como os que estrelam "O Olhar da Mente" mostra que é possível remodelar a arquitetura cerebral para compensar deficiências graves ou adquirir habilidades que parecem sobrenaturais.
No primeiro quesito, uma das histórias mais emblemáticas é a de Sue Barry, neurobióloga que nasceu com estrabismo grave e foi submetida a cirurgias para corrigir os músculos dos olhos dos dois aos sete anos de idade.
Apesar disso, nunca desenvolveu visão binocular normal, a única que permite uma visão 3D "natural". Já na meia-idade, novas lentes para os óculos e cansativos exercícios fizeram com que ela finalmente aprendesse a ver o mundo em 3D.
O resultado só pode ser descrito como uma epifania: o volante do carro parece "pular" na direção dela; de repente, ela percebe o espaço entre o garfo e o prato. "Gostaria de tirar um dia para andar por aí e OLHAR", escreve.
Outra tribo fascinante do livro é a dos cegos visuais, cujo cérebro manteve a capacidade de manipular imagens "virtuais". Entre eles, se destaca o australiano Zoltan Torey, que passou até a projetar equipamentos depois de perder a visão.

O OLHAR DA MENTE
AUTOR Oliver Sacks
TRADUÇÃO Laura Teixeira Motta
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 44 (232 pág
s.)

21 maio 2009

Enganando o seu cérebro

Você alguma vez quis mudar a maneira que você enxerga e sente o mundo? Não seria divertido sentir alucinações enquanto almoça ou qualquer outra situação normal? Embora nós normalmente associarmos tais fenomênos com drogas poderosas como o LSD ou a mescalina, é fácil aventurar-se pelas portas abertas da percepção sem o uso delas, só é necessário uma coisa: conhecimento básico de como sua mente funciona. A primeira coisa que você precisa saber é que a mente não é um espelho ou mesmo um observador passivo da realidade. Muito do que percebemos do mundo exterior, na verdade é subproduto de como o nosso cérebro processa as sensações. Recentemente, cientistas descobriram vários pequenos truques que pregam peças nos nossos sentidos, de tal modo que passamos a perceber o que sabemos que não é real.

O procedimento de Ganzfeld Comece ligando o rádio fora de uma frequência, para captar apenas estática. Cubra seus olhos usando as duas metades de uma bola de ping-pong cortada ao meio. Dentro de minutos você começa a sentir um bizarro conjunto de distorções sensoriais. Algumas pessoas veem cavalos galopando nas nuvens ou ouvem a voz de um parente morto. Acontece que é acostumada a sentir as coisas, de modo que quando há poucas coisas a sentir - este é o propósito da bola ping-pong cortada e o som da estática - seu cérebro acaba por inventar suas próprias sensações.

A experiência do binóculo invertido No mês passado, pesquisadores na Universidade de Oxford no anunciaram a descoberta de um novo poderoso analgésico: binóculos invertidos. Os cientistas submeteram alguns pacientes com um dedo ou a mão ferida a olharem pelo lado contrário de um binoculo comum, fazendo suas mãos parecerem menores na imagem. O incrível é que a dor e o inchaço do ferimento diminuiram também.







A ilusão da mão de borracha
Esconda sua própria mão embaixo de uma caixa, em cima de uma mesa de forma que você não a veja. Pegue uma mão falsa feita de borracha e coloque em cima da mesa na posição que ficaria sua mão de verdade e que você tenha uma visão clara. Depois de algum tempo enxergando a mão falsa, você tem a impressão que é a sua mão verdadeira. Peça pra um amigo apertar um dedo da mão falsa e perceba que você chega a pensar que está sentindo como se fosse sua mão de verdade. Se você pedir para seu amigo bater com força na mão de borracha com um martelo, vai ter uma inquietante sensação de dor e ansiedade porque seu cérebro pensa que é a sua mão de verdade.



















A ilusão de Pinóquio Requer duas cadeiras e uma venda. A pessoa vendada senta numa cadeira atrás da cadeira da segunda pessoa. Após algum tempo com os olhos vendados, a pessoa com a venda deve colocar a mão no nariz da pessoa sentada à frente. Ao mesmo tempo ela deve pegar com sua outra mão seu próprio nariz e começar a acariciar suavemente ambos. Após cerca de 1 minuto, 50% dos pacientes relatam que sentem seu nariz incrivelmente longo.



A luz de Purkinje
Jan Purkinje, um dos pais da neurociência moderna, descobriu por acaso mais um desses efeitos bizarros causados pelo cérebro. Primeiro ele fechou os olhos e em seguida virou seu rosto em direção ao sol. Depois moveu a mão para frente e para trás, na frente dos olhos dele. Após alguns segundos, Purkinje relatou o aparecimento de "belas figuras", que gradualmente iam se tornando mais complexas. Os cientistas adaptaram esse experimento para o laboratório, construindo uma espécie de óculos personalizado que emitia flash de luz repetitivos em uma determinada frequência. Este princípio simula uma espécie de curto circuito no córtex visual. As células começam a disparar os estímulos nervosos de forma imprevisível, o que leva à percepção de imagens imaginárias. Originalmente do artigo "Hack your Brain" (Bostom.com), traduzidor Rafael