22 janeiro 2010
21 janeiro 2010
a mútua incondicionalidade
a sensação de segurança
de que serei aceito
mesmo que faça qualquer coisa
mesmo que diga qualquer coisa
e também
a riqueza interior que sinto
em relação a mim mesmo
que conseguer aceitar o outro
qualquer coisa que se faça
qualquer coisa que se diga
a sensação de segurança
de ser aceito incondicionalmente
a riqueza interior minha
que consegue aceitar incondicionalmente
que tal desenvolvermos
os meios e métodos
para nos tornarmos
mutuamente
isto é...
voltarmos ao que
somos na origem
que tal desenvolvermos
os meios e métodos
para nos tornarmos
mutuamente
isto é...
voltarmos ao que
somos na origem
20 janeiro 2010
19 janeiro 2010
17 janeiro 2010
Patrick&Kumi&Julia&Aira&Daniela
O Patrick, moramos na casa 12 no Toyosato G (Vila Yamaguishi no Japão) em 1990. Isso foi quando depois de 6 meses ao iniciar a Vila Yamaguishi no Brasil, fui com a familia (eu, Ines, Anando e Mira), ficamos morando por 2 anos, quando o numero de moradores atingiu o maximo de 1.500(hoje dizem que está com 500 moradores) . Em 2001, ele dropou, morou 3 anos em Suzuka com a Kumi, Julia e Aira. Está há 6 anos em Luzern.
16 janeiro 2010
sei
bastaram algumas letras organizadas
bastaram algumas letras organizadas
formando um sentido sem sentido
para que desmoronasse o construído
não era o que era
ela aparentava
mas agora sei....
mas o que sei?
sei o que?
ainda assim
continua sendo
o aparente
nada mais do que isso
e ninguém manda no meu coração
in Luzern, uma caminhada com Patrikc e Kumi
ninguém
aqui
nessa vida
nessa vida
alguém já me enganou?
não, ninguém me enganou...
alguém já me traiu?
não, ninguém me traiu...
não, ninguém me traiu...
alguém já mentiu para mim?
não, ninguém mentiu para mim...
só não disse, o que pensou em dizer
não, ninguém mentiu para mim...
só não disse, o que pensou em dizer
disse só o que pensou em dizer
agiu conforme pensou
e ninguém manda no meu coração
e ninguém manda no meu coração
in Swiss - Starbucks em frente a estação de Oerikon,
ao som de trumpet de Chet Baker - My Funny Valentine
Visualizar Cafe Starbucks - Oerikon em um mapa maior
10 janeiro 2010
05 janeiro 2010
pass-pres-futu
Eu queria tomar as coisas do jardim para, com elas, reconstruir uma saudade.
Usar as cores, os gostos, os perfumes, os sons, as sensações táteis como pontes para
voltar a algum lugar do passado, que mora dentro de mim.
As minhas memórias revelam o segredo daquilo que poderá me fazer feliz no futuro.
Felicidade é sempre um reencontro.
Só posso sentir saudades daquilo que um dia tive, e depois perdi.”
Rubem Alves
Usar as cores, os gostos, os perfumes, os sons, as sensações táteis como pontes para
voltar a algum lugar do passado, que mora dentro de mim.
As minhas memórias revelam o segredo daquilo que poderá me fazer feliz no futuro.
Felicidade é sempre um reencontro.
Só posso sentir saudades daquilo que um dia tive, e depois perdi.”
Rubem Alves
04 janeiro 2010
ouviu o som... mas onde tudo aconteceu?
.
..
...
古池や
蛙飛び込む
みずの音
芭蕉
o velho lago
o salto da rã
o som da água
- bashô
(tradução literal)
" a rã, de fato saltou na agua?" Kai Hasegawa é um haikaista (poeta de haikai), diz que
há 300 anos, este que é o clássico dos clássicos, o mais famoso haikai do bashô, vem sendo interpretado erroneamente. E se não erroneamente, pelo menos mal compreendido. Diz o autor que a rã não pulou no lago, mas ao ouvir o som do sapo pular na água, o poeta Bashô imaginou, criou uma imagem do velho lago. Isto é, o som da agua é real, mas o velho lago não seria um lago que tenha existência real em algum lugar, mas um velho lago imaginário que surgiu na mente do Bashô. E que faz mudar a interpretação, é a presença da letra や "ya" que faz o corte na frase. Diz ele que se a rã tivesse de fato pulado, a construção do poema seria de outra forma.
ok, eu que sei um pouco da língua japonesa
fiz a minha traduçãozinha poética
temperado com a minha maneira própria de ver e pensar
ouvindo o som da água
é o velho lago
onde pulam os sapos
o círculo n'água
algas esverdeadas
mas... onde mesmo?
aqui e agora
dentro de mim
procurei na net, algumas traduções, inclusive de alguns feras da poesia concreta como Haroldo de Campos, Paulo Leminsk, e outros não menos famosos como Millôr Fernandes e Caetano Veloso.
velho lago
mergulha a rã
fragor d'água
Velho tanque abandonado ao silêncio...
lança-se a rã num mergulho:
quase inaudível som da água.
A Rã
Coro de cor, sombra de som de cor, de mal me quer
De mal me quer, de bem, de bem me diz
De me dizendo assim: serei feliz
Serei feliz de flor, de flor em flor
De samba em samba em som, de vai e vem
De verde, verde ver pé de capim
Bico de pena, pio de bem-te-vi
Amanhecendo sim perto de mim
Perto da claridade da manhã
A grama, a lama, tudo é minha irmã
A rama, o sapo, o salto de uma rã
silencioso lago
o sapo salta
tchá
No velho tanque
Uma rã salta-mergulha
Ruído na água.
Velho tanque.
Uma rã mergulha.
Barulho da água.
Embaixo do tanque
Não encontro o que procuro
Uma rã me assusta.
Rã
No lago, mergulha
uma rã... Na água, a manhã
verde-azul borbulha...
Perereca
Elástica... pula...
Risco acrobático, arisco.
A poça se ondula...
VELHA
LAGOA
UMA RÃ
MERG ULHA
UMA RÃ
ÁGUÁGUA
Superfície verde.
A rã mergulha quebrando
a tranqüilidade.
chuá, chuá
coach, coach
tchibum!
Uma rã saltando
blum
o rio também
pula alforriado
Ah! o antigo açude!
E quando uma rã mergulha,
o marulho da água.
No velho poço
plop e some, tão fria
a rã de Bashô
camões revisto por bashô
o salto da rã
sobre a folhagem
contorce o verso
Verde
Na lâmina azinhavrada
desta água estagnada,
entre painéis de musgo
e cortinas de avenca,
bolhas espumejam
como opalas ocas
num veio de turmalina:
é uma rã bailarina,
que ao se ver feia, toda ruguenta,
pulou, raivosa, quebrando o espelho,
e foi direta ao fundo,
reenfeitar, com mimo,
suas roupas de limo...
Quebrando o silêncio
de charco antigo, a rã salta
na água, ressoar fundo.
O velho tanque
uma rã mergulha
dentro de si.
Na beira do charco,
coaxa o sapo-ferreiro
e acorda o silêncio.
Na antiga lagoa
pro fundo uma rã mergulha.
Barulho das águas.
Ao pular de um sapo,
as águas do velho lago
se abriram sonoras...
Um velho lago parado... cerrado... calado...
de águas turvas e tranqüilas,
realizava, no deslumbramento da noite clara,
seu sonho antigo de ser espelho...
Seu fundo lodoso e sombrio
refletia, cheio de orgulho,
um cortejo relumbrante de estrelas,
quando um sapo, asqueroso e profano,
saltou sobre ele,
arrancando de suas águas
um arrepio de pavor
e um gemido estrangulado de agonia...
Água resmungona...
No tanque limoso
o pulo da rã.
As pererecas
pulam no lago verde
A água suspira
Sobre o tanque morto
Um ruído de rã
Que mergulha.
Nem grilo, grito, ou galope;
No silêncio imenso
Só uma rã mergulha
plóóp!
águas paradas
mal pula a rã se inundam
de ondas sonoras
Na grama da praça,
a rã salta, salta e assusta
a moça que passa.
Ploc! Uma rã pula
no silêncio da lagoa,
e o silêncio ondula.
Sobre o tanque morto
um ruído de rã
submergindo.
Ah, o velho lago.
De repente a rã no ar
e o baque na água.
O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.
velha lagoa
o sapo salta
o som da água
]
MALLARMÉ BASHÔ
um salto de sapo
jamais abolirá
o velho poço
No tanque vetusto
um estalido na água:
o salto da rã!
Plenitude
A água está parada.
Uma rã salta no musgo.
Olho. E mais nada.
velho tanque
a rã salta
som do baque n'água
O tanque rachado.
Um fio de água molha
a pata da rã.
O sapo mergulha:
N'água fria da lagoa
uma pedra parda.
Rã
Com seu pulo mole
mergulha... A água borbulha
e num gole a engole...
Um velho tanque:
salta uma rã
zás!
esquichadelas.
O sapo pulou
no velho tanque vazio
e... espatifou-se.
No velho tanque,
saltou uma rã. O bulício...
Ruidosas crianças
Afugentam da lagoa
As rãs de Bashô.
No capim que cresce
A pequena rã mergulha
Tarde cinza-chumbo.
Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada...
O sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
..
...
古池や
蛙飛び込む
みずの音
芭蕉
o velho lago
o salto da rã
o som da água
- bashô
(tradução literal)
" a rã, de fato saltou na agua?" Kai Hasegawa é um haikaista (poeta de haikai), diz que
há 300 anos, este que é o clássico dos clássicos, o mais famoso haikai do bashô, vem sendo interpretado erroneamente. E se não erroneamente, pelo menos mal compreendido. Diz o autor que a rã não pulou no lago, mas ao ouvir o som do sapo pular na água, o poeta Bashô imaginou, criou uma imagem do velho lago. Isto é, o som da agua é real, mas o velho lago não seria um lago que tenha existência real em algum lugar, mas um velho lago imaginário que surgiu na mente do Bashô. E que faz mudar a interpretação, é a presença da letra や "ya" que faz o corte na frase. Diz ele que se a rã tivesse de fato pulado, a construção do poema seria de outra forma.
ok, eu que sei um pouco da língua japonesa
fiz a minha traduçãozinha poética
temperado com a minha maneira própria de ver e pensar
ouvindo o som da água
é o velho lago
onde pulam os sapos
o círculo n'água
algas esverdeadas
mas... onde mesmo?
aqui e agora
dentro de mim
| alam Japan, Suzuka, 2010 |
procurei na net, algumas traduções, inclusive de alguns feras da poesia concreta como Haroldo de Campos, Paulo Leminsk, e outros não menos famosos como Millôr Fernandes e Caetano Veloso.
velho lago
mergulha a rã
fragor d'água
| Alberto Marsicano Haikai,1988 |
Velho tanque abandonado ao silêncio...
lança-se a rã num mergulho:
quase inaudível som da água.
| Antônio Nojiri Poesia japonesa, 2005 |
A Rã
Coro de cor, sombra de som de cor, de mal me quer
De mal me quer, de bem, de bem me diz
De me dizendo assim: serei feliz
Serei feliz de flor, de flor em flor
De samba em samba em som, de vai e vem
De verde, verde ver pé de capim
Bico de pena, pio de bem-te-vi
Amanhecendo sim perto de mim
Perto da claridade da manhã
A grama, a lama, tudo é minha irmã
A rama, o sapo, o salto de uma rã
| Caetano Veloso e João Donato |
silencioso lago
o sapo salta
tchá
| Carlos Verçosa, tradutor de Octavio Paz Oku: viajando com Bashô,1996 |
No velho tanque
Uma rã salta-mergulha
Ruído na água.
| Casimiro de Brito Uma rã que salta: homenagem a Bashô, 1995 |
Velho tanque.
Uma rã mergulha.
Barulho da água.
| Cecília Meirelles Escolha o seu sonho, 1974 |
Embaixo do tanque
Não encontro o que procuro
Uma rã me assusta.
| Clóvis Moreira dos Santos Haicais - 1a Antologia 2001, 2001 |
Rã
No lago, mergulha
uma rã... Na água, a manhã
verde-azul borbulha...
| Cyro Armando Catta Preta Moenda dos Olhos, 1986 |
Perereca
Elástica... pula...
Risco acrobático, arisco.
A poça se ondula...
| Cyro Armando Catta Preta Palhas do Tempo, 1993 |
VELHA
LAGOA
UMA RÃ
MERG ULHA
UMA RÃ
ÁGUÁGUA
| Décio Pignatari citado em Matsuo Bashô, de Paulo Leminski, 1987 |
Superfície verde.
A rã mergulha quebrando
a tranqüilidade.
| Eduardo Martins Poemas japoneses, 1950 |
chuá, chuá
coach, coach
tchibum!
| Estrela Ruiz Leminski Cupido: cuspido, escarrado, 2004 |
Uma rã saltando
blum
pula alforriado
| Fernando Sérgio Lyra Planos de Gaivota, 1996 |
Ah! o antigo açude!
E quando uma rã mergulha,
o marulho da água.
| Guilherme de Almeida Acaso: versos de todo tempo, 1938 |
No velho poço
plop e some, tão fria
a rã de Bashô
| Gustavo Alberto Corrêa Pinto Gotas de Orvalho, 1990 |
| o velho tanque | ||||
| rã salt' | ||||
| tomba | ||||
| rumor de água |
| Haroldo de Campos A arte no horizonte do provável, 1969 |
camões revisto por bashô
| as rãs | ||||||||
| daqui e dali | s | l | a | d | ||||
| a | t | n | o | |||||
| o charco soa | ||||||||
| Haroldo de Campos Crisantempo: no espaço curvo nasce um, 1998 |
o salto da rã
sobre a folhagem
contorce o verso
| Jaime Vieira Hai-kais ao sol (antologia), 1995 |
Verde
Na lâmina azinhavrada
desta água estagnada,
entre painéis de musgo
e cortinas de avenca,
bolhas espumejam
como opalas ocas
num veio de turmalina:
é uma rã bailarina,
que ao se ver feia, toda ruguenta,
pulou, raivosa, quebrando o espelho,
e foi direta ao fundo,
reenfeitar, com mimo,
suas roupas de limo...
| João Guimarães Rosa Magma, 1997 |
Quebrando o silêncio
de charco antigo, a rã salta
na água, ressoar fundo.
| Jorge de Sena Poesias de 26 séculos, v.2, 1960 |
O velho tanque
uma rã mergulha
dentro de si.
| Jorge de Souza Braga O gosto solitário do orvalho, 1986 |
o tanque estanque
mergulho de rã: t
SHI
bun !
circunfluindo ..| Josely Viana Batista jornal Gazeta do Povo, Curitiba, s/d |
Na beira do charco,
coaxa o sapo-ferreiro
e acorda o silêncio.
| Leda Mendes Jorge Haicais, 1999 |
Na antiga lagoa
pro fundo uma rã mergulha.
Barulho das águas.
| Lena Jesus Ponte Na trança do tempo, 2000 |
Salta a rã no lago
((((( o tremor da água se espalha )))))
mergulha em galáxias.
((((( o tremor da água se espalha )))))
mergulha em galáxias.
| Lena Jesus Ponte Na trança do tempo, 2000 |
Ao pular de um sapo,
as águas do velho lago
se abriram sonoras...
| Luís Antônio Pimentel Tankas e haikais, 1953 |
Um velho lago parado... cerrado... calado...
de águas turvas e tranqüilas,
realizava, no deslumbramento da noite clara,
seu sonho antigo de ser espelho...
Seu fundo lodoso e sombrio
refletia, cheio de orgulho,
um cortejo relumbrante de estrelas,
quando um sapo, asqueroso e profano,
saltou sobre ele,
arrancando de suas águas
um arrepio de pavor
e um gemido estrangulado de agonia...
| Luís Antônio Pimentel Tankas e haikais, 1953 |
Água resmungona...
No tanque limoso
o pulo da rã.
| Luiz Bacellar Satori, 1999 |
| O pulo |
| Estrela foi se arrastando no chão deu no sapo sapo ficou teso de flor! e pulou o silêncio |
| Manoel de Barros Arranjos para Assobio, 1982 |
As pererecas
pulam no lago verde
A água suspira
| Maria Apparecida Arruda Hai-kais ao sol (antologia), 1995 |
Sobre o tanque morto
Um ruído de rã
Que mergulha.
| Maria Ramos, tradutora de Osvaldo Svanascini Três mestres do haikai: Bashô, Buson, Issa,1974 |
Nem grilo, grito, ou galope;
No silêncio imenso
Só uma rã mergulha
| Millôr Fernandes Hai-kais, 1986 |
águas paradas
mal pula a rã se inundam
de ondas sonoras
| Nelson Ascher Folha de S.Paulo, 19/01/2004 |
Na grama da praça,
a rã salta, salta e assusta
a moça que passa.
| Nilton Manoel Poesia Mágica (Haicais), 2008 |
Ploc! Uma rã pula
no silêncio da lagoa,
e o silêncio ondula.
| Oldegar Vieira Gravuras no vento, 1994 |
Sobre o tanque morto
um ruído de rã
submergindo.
| Olga Savary O livro dos hai-kais, 1987 |
Ah, o velho lago.
De repente a rã no ar
e o baque na água.
| Olga Savary Bashô, 1989 |
O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.
| Paulo Franchetti e Elza Doi Haikai, 1990 |
velha lagoa
o sapo salta
o som da água
| Paulo Leminski Matsuo Bashô: A Lágrima do Peixe, 1983 |
]
MALLARMÉ BASHÔ
um salto de sapo
jamais abolirá
o velho poço
| Paulo Leminski La vie en close, 1991 |
No tanque vetusto
um estalido na água:
| Primo Vieira Bashô - Palhas de arroz, 1994 |
Plenitude
A água está parada.
Uma rã salta no musgo.
Olho. E mais nada.
| Raul Machado As Cinco Estações, 1993 |
velho tanque
a rã salta
som do baque n'água
| Regina Bostulim Armadilha de Polvos, 2003 |
O tanque rachado.
Um fio de água molha
a pata da rã.
| Roberto Saito Fúrias - Faíscas - O grande silêncio, 1992 |
O sapo mergulha:
N'água fria da lagoa
uma pedra parda.
| Ronaldo Bomfim Essências e medulas, 2000 |
Rã
Com seu pulo mole
mergulha... A água borbulha
e num gole a engole...
| Sebas Sundfeld Sínteses Poéticas, 2002 |
Um velho tanque:
salta uma rã
esquichadelas.
| Sebastião Uchoa Leite, tradutor de Octavio Paz Signos em Rotação, 1971 |
O sapo pulou
no velho tanque vazio
e... espatifou-se.
| Sérgio Dal Maso Natureza - Berço do haicai (antologia), 1996 |
No velho tanque,
saltou uma rã. O bulício...
| Tei Okimura A poesia e os japoneses: o "haikai" in: Brasil e Japão, duas civilizações que se completam, 1934 |
Ruidosas crianças
Afugentam da lagoa
As rãs de Bashô.
| Teruko Oda Relógio de sol, 1994 |
No capim que cresce
A pequena rã mergulha
Tarde cinza-chumbo.
| Teruko Oda Haicai - A poesia do kigô, 1995 |
Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada...
| Wenceslau de Moraes Relance da alma japonesa, 1925 |
O sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
| Zemaria Pinto Fragmentos de Silêncio, 1996 |
03 janeiro 2010
2010 in japan
amigos
desejo um 2010 cheio de graças
tal como foi o 2009
graças a mim
graças a meus pais
graças a amigos
graça de mim
graça da vida
2010
o ano do tigre
o ano do tigre
01 janeiro 2010
25 dezembro 2009
o eu e o outro
por isso...
o que o outro está querendo dizer
como é o conteúdo da pessoa
o que tem por trás da pessoa
como é o mundo que esta pessoa mora
o que existe além do ponto de contato
o contato que se faz através do manifesto
mas
antes de mais nada
o que tem por trás
das coisas que
se manifestam de mim
o que o outro está querendo dizer
como é o conteúdo da pessoa
o que tem por trás da pessoa
como é o mundo que esta pessoa mora
o que existe além do ponto de contato
o contato que se faz através do manifesto
mas
antes de mais nada
o que tem por trás
das coisas que
se manifestam de mim
18 dezembro 2009
03 dezembro 2009
Coreia do Sul
YunHan, SanYun e Yuki http://www.snowflakes.kr/main.php
Casal NanGoku http://cafe.daum.net/joeunvillage
24 novembro 2009
Publicação de 'A Origem das Espécies' completa 150 anos
Publicação de 'A Origem das Espécies' completa 150 anos
Talvez a mudança mais conceitual proposta pelas novas pesquisas seja sobre o papel do ambiente no processo evolutivo. Em vez de atuar como mero filtro sobre as características, como proposto por Charles Darwin, o ambiente teria o poder de causá-las (Foto: RIA Novosti/AFP)
Neste novembro as comemorações do bicentenário de nascimento de Charles Darwin (1809-1882) atingem seu ponto máximo. Foi neste mês, há 150 anos, que ocorreu a publicação da primeira edição de "A Origem das Espécies", o livro que inscreveu o naturalista no hall dos grandes gênios da ciência.
Embora ninguém questione a grandiosidade do feito intelectual de Darwin – afinal, conceitos como adaptação, evolução e seleção são alguns dos fundamentos da biologia moderna –, são cada vez mais expressivas as vozes que defendem que "A Origem..." não é a última palavra na tentativa de explicar os mecanismos pelos quais a vida se reinventa e se diversifica. Observações feitas em novas áreas de investigação, como a genômica e a epigenética, não encontram paralelo no pensamento de Darwin. E há quem proponha que talvez seja necessária uma nova revolução conceitual na biologia.
Antes da genômica, havia poucas formas de pesquisar a evolução experimentalmente. Ficava-se restrito ao estudo de fósseis, a experimentos de reprodução dirigida e a pouca coisa mais"
Foi somente no início do século 20 que biólogos do Ocidente tiveram contato com os estudos de Mendel sobre hereditariedade, o que levou ao conceito de gene e ao surgimento da genética. A fusão das ideias propostas pelos dois pensadores começou a ser elaborada na década de 1930 e recebeu o nome de Síntese Evolutiva ou neodarwinista. Em suas elaborações, os biólogos neodarwinistas reservaram para o gene um lugar central.
Mutações na sua estrutura levariam ao aparecimento da grande diversidade de características dos seres vivos, sobre as quais atua a seleção natural. A maior ou menor vantagem adaptativa conferida ao organismo por uma mutação resultaria na variação da frequência da mutação em uma população. Traços como o comportamento social e cooperativo em insetos, animais e até em humanos seriam apenas esforços dos organismos para assegurar a transmissão de suas fitinhas de DNA, mantendo elevadas as frequências daqueles genes.
Essa visão, que muitos taxaram de “genecêntrica”, foi radicalizada pelo inglês Richard Dawkins, que afirmou nos anos 1970 que a preservação das sequências de bases nitrogenadas “é a razão última de nossa existência”, e que todos os organismos são só grandes “máquinas de sobrevivência” do próprio material genético.
Papel dos genes
Provêm justamente do estudo dos genes – mais especialmente da genômica, a disciplina que estuda os mecanismos do genoma (o conjunto de genes) – as novidades que estão pondo em xeque algumas das ideias mais tradicionais sobre evolução. “Antes da genômica, havia poucas formas de pesquisar a evolução experimentalmente”, lembra Ney Lemke, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu e pesquisador na área de redes biológicas. “Ficava-se restrito ao estudo de fósseis, a experimentos de reprodução dirigida e a pouca coisa mais.”
Hoje há várias formas de observar em tempo real o processo de variação e seleção que leva ao surgimento de novas variedades de organismos, como exemplifica o pesquisador. “Alguns experimentos cultivam colônias de bactérias tipo Escherichia coli [comumente encontrada no intestino humano] em laboratório por décadas, monitorando o aparecimento das mutações no genoma e as consequências que elas acarretam para as sucessivas gerações. Isso permite acompanhar a evolução passo a passo e testar modelos para refutá-los ou confirmá-los. A pesquisa sobre evolução passa de um debate qualitativo e abstrato para o âmbito da avaliação quantitativa.”
A pesquisa genômica abriu os olhos dos pesquisadores para uma série de fenômenos de cuja existência nem Darwin nem seus seguidores suspeitavam. São mecanismos como a transmissão horizontal de genes (THG), que consiste na troca de sequências de bases e de pedaços inteiros de genoma entre seres tão diferentes como vírus, bactérias, plantas e animais, incluindo o homem. Ou a metilação de DNA, que permite que indivíduos portadores das mesmas características genéticas apresentem aspectos bem diferentes.
Alguns geneticistas estão repensando até a própria definição de gene
Quando o Projeto Genoma Humano foi iniciado, em 1990, acreditava-se que ele traria a chave para a compreensão do Homo sapiens. “Na época havia a crença de que a maior parte dos genes se destinava a codificar proteínas. Por isso, uma vez descoberto esse código, esperava-se que seria possível prever o desenvolvimento do indivíduo”, explica Gustavo Maia Souza, professor-colaborador da Unesp de Rio Claro.
Ao longo dos anos 1990 foram anunciadas descobertas de genes supostamente responsáveis por originar as mais diversas características, do alcoolismo à homossexualidade. O projeto chegou ao fim em 2003, e até 2008 resultados mais acurados continuavam sendo divulgados.
Mas, ao longo desses anos, uma reviravolta aconteceu. Em vez dos cerca de 100 mil genes estimados, os biólogos encontraram menos de 30 mil. Descobriu-se que mais da metade não codificava nenhuma proteína, sendo por isso batizada de “DNA lixo”. E mesmo a parte “funcional” do genoma se comportava de modo estranho, com alguns genes se mostrando capazes de codificar mais de uma proteína.
Hoje sabemos que até a posição do gene pode influenciar sua capacidade de dar origem a uma proteína. E que o tal do DNA lixo tem o poder de regular os mecanismos de síntese proteica, estabelecendo os momentos e circunstâncias em que ela vai ocorrer.
“Hoje os geneticistas falam na ação combinada de dezenas ou centenas de genes que interagem simultaneamente para afetar a expressão de uma única característica”, escreve a bióloga israelense Eva Jablonka em seu livro "Evolution in four Dimensions". “Ficou para trás a época em que o genoma era visto como uma biblioteca de genes individuais – unidades autônomas que produzem sempre o mesmo efeito. E se o genoma é um sistema organizado, em vez de apenas uma coleção de genes, então o processo que gera variação pode ser uma propriedade do próprio sistema, que é regulada e modulada pelo genoma e pela célula”, diz ela.
Árvore redesenhada
Tais descobertas estão sendo lentamente assimiladas ao repertório de noções sobre evolução. Uma das primeiras formulações esboçadas é uma crítica à chamada “árvore da vida” – o clássico gráfico que o inglês esboçou para explicar seu pensamento. Acontece que a colocação das espécies distintas em “galhos” divergentes sugere uma transmissão de genes apenas da espécie ancestral para a sucessora, pressupondo um isolamento entre os organismos que não é compatível com o que sabemos agora a respeito da troca horizontal de genes.
A imagem da árvore ficou comprometida. Mais adequado é imaginar uma figura onde os vários galhos estejam ligados uns aos outros"
“A transmissão horizontal de genes implica que certas características de um organismo são oriundas de outras espécies que vivam no mesmo ambiente. A ideia da árvore da vida não se sustenta”, diz. Mellender concorda: “A imagem da árvore [original] ficou comprometida. Mais adequado é imaginar uma figura onde os vários galhos estejam ligados uns aos outros.”
Outro conceito visado é o de que as transformações nos organismos são gradativas. Em sete oportunidades, Darwin escreveu que "natura non facit saltum" (a natureza não dá saltos). Os seres vivos passariam por pequenas mudanças. Se elas conferissem alguma vantagem adaptativa, seriam acumuladas ao longo do tempo, e o processo eventualmente levaria ao surgimento de novas espécies.
Essa perspectiva foi questionada ainda no século 19 por ninguém menos do que T. H. Huxley, na época o mais destacado defensor das ideias de Darwin. Mas no século 20 o gradualismo foi abraçado pela síntese neodarwinista.
Apesar de proporem algumas mudanças aos preceitos de Darwin e seus seguidores, as críticas não dão suporte aos adversários do evolucionismo, como os adeptos do criacionismo. Pelo contrário, elas reforçam as previsões da seleção natural (Foto: Collection Roger-Viollet/France Presse)
Somente nos anos 1970 o paleontólogo americano Stephen J. Gould (1941-2002) chamaria a atenção para o fato de que há poucos fósseis que retratam a transição entre espécies. Ele procurou formular uma nova teoria, denominada Equilíbrio Pontuado, que sugere que o surgimento de novas espécies ocorre de forma mais rápida. Hoje o argumento fóssil de Gould é complementado pelas evidências genômicas.
A transmissão horizontal faz com que alguns seres vivos subitamente incorporem ao seu genoma genes inteiros de uma espécie diferente. “Também são comuns episódios onde se vê toda a reorganização da estrutura de DNA de um organismo”, diz Lemke. “A evolução embaralha o genoma, reorganiza, faz rearranjos complexos que podem ser comparados a saltos. É um processo muito maior do que só o acúmulo de pequenas mutações”, complementa.
Mellender afirma que mesmo a síntese neodarwinista já falava na possibilidade de eventos rápidos de especiação. E a genômica só tem reforçado a possibilidade. “Um exemplo que vemos de salto é o fenômeno da poliploidia entre os vegetais”, explica. Ele cita o trigo. Os ancestrais da planta tinham 14 cromossomos. Nas gerações seguintes, por problemas de divisão celular e hibridizações, acabaram surgindo indivíduos com 42 cromossomos, configurando uma espécie nova.
Talvez a mudança conceitual mais significativa esteja no papel desempenhado pelo ambiente no processo de evolução. Para Darwin, as condições ambientais atuariam como uma peneira sobre os seres vivos em perpétua transformação, favorecendo algumas características surgidas e descartando outras. Mas os estudos em epigenética têm mostrado que, além de selecionar modificações em organismos, os fatores ambientais têm o poder de causá-las.
Um dos primeiros defensores desta ideia foi o biólogo inglês Conrad Waddington (1905-1975), que cunhou o termo epigenética. Em série de experimentos feitos nos anos 1940, ele expôs larvas de moscas drosófilas a elevadas temperaturas. Como resultado do choque térmico, 40% das moscas, ao se tornarem adultas, demonstravam uma diferença na aparência: não apresentavam mais o característico desenho de veias nas asas. Waddington então fazia com que as moscas com a modificação cruzassem entre si, e submetia a prole ao mesmo tratamento de exposição ao calor. A seguir, repetia o processo de selecionar os espécimes sem sinais de veias e de fazê-los cruzar entre si.
O resultado é que, em cada etapa, crescia o número de indivíduos que, embora possuíssem a configuração genética para tal, não exibiam veias. Em menos de 20 gerações, eles chegaram a constituir 90% da população. Mais impressionante foi constatar que, a partir da 14ª geração, algumas moscas começaram a apresentar a modificação sem nem passarem pela exposição ao calor. Apenas pelo cruzamento, o biólogo obteve uma população com quase 100% dos indivíduos sem marcas nas asas. Em outras palavras, um traço adquirido havia sido assimilado e incorporado pelo mecanismo de hereditariedade, sem que houvesse mutações nos genes. Há ocorrências disso inclusive em humanos.
“Reabilitação” de Lamarck
Essas descobertas de certo modo reabilitam ideias do francês Jean Baptiste de Lamarck (1744-1829), que afirmava que características adquiridas por indivíduos em suas interações com o ambiente podiam ser transmitidas à prole. Ele propunha, por exemplo, que girafas têm pescoço comprido porque seus pais tiveram de se esticar para alcançar alimento nas árvores. Quando Darwin propôs que o ambiente era apenas uma instância de seleção de variações, Lamarck foi posto de escanteio.
Até recentemente a afirmação de que variações adquiridas poderiam ser herdáveis constituía uma heresia grave que não deveria ter lugar na teoria evolutiva"
“Para o neodarwinismo, o organismo era um sistema fechado. Tudo o que acontecia nele era decorrência de um código informacional, o genoma”, diz Gustavo Maia Souza. “A epigenética abre o sistema, pois reconhece que os seres vivos, mesmo possuindo uma base genética, dependem também do contexto ambiental. O contexto onde aquele genoma está vai refletir em leituras distintas daquela informação.”
Talvez por fruto da herança de Darwin, tenhamos dado ênfase demais a uma visão do ambiente agindo apenas como um filtro. Não está sendo fácil aceitar que ele possa ter um papel muito mais importante do que se pensava anteriormente"
Para Souza, a mudança que se avizinha deverá ser ainda maior. “O pensamento clássico via os genomas como sistemas fechados, é determinista e reducionista: tal gene gera tal proteína”, diz. “A epigenética mostra que os sistemas biológicos, mesmo tendo uma base genética, são dependentes do contexto ambiental.” Com base nisso, ele defende a adoção de uma descrição dos organismos na qual eles sejam vistos como sistemas auto-organizados, de modo que a variabilidade de características dos seres vivos não se deveria à aleatoriedade, mas a propriedades físico-químicas intrínsecas dos organismos.
Ponto contra o criacionismo
É importante ressaltar que tais propostas de revisão crítica das ideias de Darwin em nada beneficiam adversários do pensamento evolucionista como os adeptos do criacionismo ou do Design Inteligente. Muito pelo contrário. Mellender explica que um dos argumentos do DI é que fenômenos como o movimento dos flagelos em micro-organismos se baseiam em interações moleculares tão complexas que não poderiam ter se formado gradualmente. Já teriam surgido “prontos”. Dá-se a este argumento o nome de complexidade irredutível.
Essa nova variante da gripe suína, por exemplo, surgiu da recombinação de três espécies anteriores de vírus, através de um mecanismo que décadas atrás a gente nem sequer suspeitava que existisse"
Lemke diz que mesmo a nossa visão sobre o funcionamento dos flagelos mudou. “A genômica mostra de forma bastante clara que esse processo ocorreu ao longo de muito tempo. Temos inclusive uma ideia dos passos evolutivos. No caso da E. coli, por exemplo, podemos mostrar que as proteínas que compõem o flagelo ocorrem em outras espécies de bactérias, em muitos casos com funções levemente diferentes”, explica. “A ideia de complexidade irredutível não encontra comprovação empírica”, diz Mellender.
Há quem sustente, porém, que nenhuma grande revisão da síntese neodarwinista seja necessária, pelo menos por enquanto. É o que pensa Guaracy Rocha, coordenador do curso de Ciências Biológicas da Unesp em Botucatu, que há 20 anos ministra a disciplina de evolução. “A essência do pensamento darwinista consiste em afirmar que os organismos se modificam, que essas modificações acontecem por um processo de seleção que atua entre as diversas variantes e que essas variações não ocorrem com fins específicos. Nada disso é contestado pelas descobertas feitas na genômica e na epigenética”, diz.
“Estamos vendo que o processo de surgimento de espécies novas entre os vegetais é totalmente diferente do que se pode observar em bactérias ou em vírus. Essa nova variante da gripe suína, por exemplo, surgiu da recombinação de três espécies anteriores de vírus, através de um mecanismo que décadas atrás a gente nem sequer suspeitava que existisse.”
Ele afirma que Darwin tinha mais interesse por Lamarck do que se pensa hoje em dia, mas contesta a visão de que a epigenética possa levar a uma retomada das ideias do francês. “Já se sabia antes que a expressão do genoma resulta da interação entre este e o ambiente. Mas as mutações nos genes, que podem ou não ser inibidas por fatores ambientais, não surgiram especificamente para atender a nenhuma função. Elas foram produzidas e descartadas pela ação da seleção. E isso não é lamarckismo, é darwinismo”, diz.
Para os defensores de uma revisão da teoria, o problema é que ainda há lacunas a serem preenchidas, como afirma Souza: “Darwin demonstrou de uma forma muito bonita que existe um processo evolutivo. A questão é se ele é geral. As evidências da paleontologia demonstram isso. Agora como isso acontece é que é complicado. A seleção natural é um mecanismo forte, mas não de criação de espécies”.
Diante dessa diversidade de visões, é de se esperar, pelos próximos anos, discussões vigorosas entre as várias correntes, que talvez venham a culminar em uma teoria da evolução 2.0. Mas, independentemente de qual venha a se mostrar predominante daqui a 20 ou 30 anos, tanto umas quanto outras, na verdade, são expressões do profundo valor científico da obra de Darwin.
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17 novembro 2009
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