12 fevereiro 2010
03 fevereiro 2010
Macaco africano "hippie" nunca vira adulto, diz bióloga
São famosas as fotos de bonobos, uma espécie de macaco de índole pacífica, fazendo sexo em várias posições --coisa que eles praticam mesmo sem fins reprodutivos, apenas para criar laços afetivos. Um novo estudo tenta explicar por que esses animais altamente sociáveis, apelidados de "macacos hippies", são tão dóceis, ao contrário dos seus primos, os chimpanzés, mais agressivos. A ideia é que, de certo modo, os bonobos nunca se tornam adultos.
| Ryan E. Poplin/CC |
| Filhote de bonobo, macaco africano dócil e "hippie", que "nunca se torna adulto", segundo pesquisa; seu primo chimpanzé é o oposto |
Quem propõe a hipótese é Victoria Wobber, especialista em comportamento animal da Universidade Harvard, dos EUA. A infância dos primatas tem, em geral, como característica o gosto por brincadeiras e diversão. Conforme crescem, animais como o chimpanzé se tornam menos sociais, mais individualistas, mesquinhos e agressivos. Wobber levantou a hipótese de que talvez bonobos nunca chegassem a essa fase. Em um dos experimentos, juntou então 30 chimpanzés e 24 bonobos que vivem em reservas na África. Fez pares de animais da mesma espécie e deu pedaços de banana para um deles. Bonobos costumavam compartilhar a comida recebida, independemente da idade. Chimpanzés jovens dividiam a banana, mas adultos ignoravam essa possibilidade. Evoluções Em estudo na revista "Current Biology", Wobber explica que não é porque os chimpanzés são menos amigáveis que eles são "menos evoluídos" que os bonobos. E, do mesmo jeito, os bonobos não são inferiores aos chimpanzés porque eles retém características da infância. Trata-se de maneiras diferentes de se adaptar a situações diferentes. As espécies se separaram há cerca de 2 milhões de anos, passando a ocupar áreas distintas. Ancestrais dos bonobos ficaram fora de regiões exploradas por gorilas, onde acabava sobrando mais comida. Nesse cenário, "reter os traços juvenis foi largamente vantajoso, pois era algo associado à redução da agressão nos grupos de bonobos", explica Wobber. Os chimpanzés, enquanto isso, precisaram se manter agressivos e egoístas, pois num ambiente menos abastado isso lhes garantia mais alimento.
Por uma menor agressividade, os bonobos "optaram" por prolongar características da infância. Com isso, outros comportamentos típicos dessa fase podem ter vindo junto, ainda que não fossem uma adaptação ao ambiente, diz Wobber.
Para os cientistas, como chimpanzés e bonobos são "primos" próximos da espécie humana, as descobertas podem ajudar a entender as origens do comportamento das pessoas.
Bonobos são especialmente parecidos com humanos: pessoas também sãosociáveis e gostam de sexo em várias posições. Mas existem diferenças. Pessoas também podem ser muito agressivas e mesquinhas.
Por isso, como a psicologia humana tem suas particularidades, paralelos entre a evolução de comportamentos em bonobos e em humanos ainda não podem ser muito bem estabelecidos no que se refere ao prolongamento da infância. Mas isso não intimida os biólogos.
"O próximo passo que vamos dar é fazer comparações diretas com humanos", diz Wobber.
29 janeiro 2010
zemauro - in São Sebastião-SP
Fui ver o Zémauro, dos tempos da Veterinária na UEL, Centro Academico, invasão do DCE pela Policia Miltar, Poeira. Vejo esse cara a cada 10 anos, a última vez foi em 2000, quando vim com Romeu e Ines. Estava eu lá na clinica dele e eis que ele joga um jaleco na minha mão: " tó, Alam me ajuda nessa cirurgia aqui!!!". Claro, eu que depois da minha única aula prática de cirurgia de pequenos animais na UEL, nunca mais fiquei defronte a mesa de cirurgia, fui lá, sem "pobremas", deve ser fácil, uma coisa de rotina, ver sangue nunca foi traumático, ainda mais carnívoro que sou.... Ok, fiquei tamponando o corte, ele falando, cacete, deu errado, cortei lugar errado!!, jorrou sangue respingando na minha cara, olha pra cara dele, super suado, o suor caindo em cima da cachorra, um calorão danado, e eu também com a cara suada, fiquei tão tenso que deu uma caganeira, teve que chamar a Lu enfermeira, pra me subustituir.... eita, veterinário dearaque!!!!
encontrei o zeroberto e a mirian. ele, também fez veterinária na UEL, casou com a irmã do zemauro.
![]() |
| De teste 01 |
28 janeiro 2010
Praia de Santiago
o vácuo do passado
como preencher
com novas verdades inventadas
ou com mentiras reais
reescrever a minha própria história
é a minha vida vivida
nada é mais desgastante
nada é mais frustrante
o que era a confiança
se não um auto-engano
e ninguém manda no meu coração

24 janeiro 2010
in Goethe Bar - Frankfurt - O que será....
in Goethe Bar, ao som de chico e milton....
O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...
Andrea&Kaj
Já virou tradição. Tradição?? OK, só foram duas vezes, e não se chama isso de tradição. É assim, quando chego na Suissa, Zurich, quem vem me pegar no aeroporto são esses dois aí, Kaj e Andrea. E aí me botam no trem, ou bus para o meu destino. Em julho, quando estive aqui, foi assim (veja aqui), e agora de novo. Juntos, agora casadinhos e felizes. Em breve estarão no Brasil, para festança que a mama Clélia está preparando. Traduzindo ficaria algo assim? : "Ninguém faz mais a Suissa feliz..."
22 janeiro 2010
21 janeiro 2010
a mútua incondicionalidade
a sensação de segurança
de que serei aceito
mesmo que faça qualquer coisa
mesmo que diga qualquer coisa
e também
a riqueza interior que sinto
em relação a mim mesmo
que conseguer aceitar o outro
qualquer coisa que se faça
qualquer coisa que se diga
a sensação de segurança
de ser aceito incondicionalmente
a riqueza interior minha
que consegue aceitar incondicionalmente
que tal desenvolvermos
os meios e métodos
para nos tornarmos
mutuamente
isto é...
voltarmos ao que
somos na origem
que tal desenvolvermos
os meios e métodos
para nos tornarmos
mutuamente
isto é...
voltarmos ao que
somos na origem
20 janeiro 2010
19 janeiro 2010
17 janeiro 2010
Patrick&Kumi&Julia&Aira&Daniela
O Patrick, moramos na casa 12 no Toyosato G (Vila Yamaguishi no Japão) em 1990. Isso foi quando depois de 6 meses ao iniciar a Vila Yamaguishi no Brasil, fui com a familia (eu, Ines, Anando e Mira), ficamos morando por 2 anos, quando o numero de moradores atingiu o maximo de 1.500(hoje dizem que está com 500 moradores) . Em 2001, ele dropou, morou 3 anos em Suzuka com a Kumi, Julia e Aira. Está há 6 anos em Luzern.
16 janeiro 2010
sei
bastaram algumas letras organizadas
bastaram algumas letras organizadas
formando um sentido sem sentido
para que desmoronasse o construído
não era o que era
ela aparentava
mas agora sei....
mas o que sei?
sei o que?
ainda assim
continua sendo
o aparente
nada mais do que isso
e ninguém manda no meu coração
in Luzern, uma caminhada com Patrikc e Kumi
ninguém
aqui
nessa vida
nessa vida
alguém já me enganou?
não, ninguém me enganou...
alguém já me traiu?
não, ninguém me traiu...
não, ninguém me traiu...
alguém já mentiu para mim?
não, ninguém mentiu para mim...
só não disse, o que pensou em dizer
não, ninguém mentiu para mim...
só não disse, o que pensou em dizer
disse só o que pensou em dizer
agiu conforme pensou
e ninguém manda no meu coração
e ninguém manda no meu coração
in Swiss - Starbucks em frente a estação de Oerikon,
ao som de trumpet de Chet Baker - My Funny Valentine
Visualizar Cafe Starbucks - Oerikon em um mapa maior
10 janeiro 2010
05 janeiro 2010
pass-pres-futu
Eu queria tomar as coisas do jardim para, com elas, reconstruir uma saudade.
Usar as cores, os gostos, os perfumes, os sons, as sensações táteis como pontes para
voltar a algum lugar do passado, que mora dentro de mim.
As minhas memórias revelam o segredo daquilo que poderá me fazer feliz no futuro.
Felicidade é sempre um reencontro.
Só posso sentir saudades daquilo que um dia tive, e depois perdi.”
Rubem Alves
Usar as cores, os gostos, os perfumes, os sons, as sensações táteis como pontes para
voltar a algum lugar do passado, que mora dentro de mim.
As minhas memórias revelam o segredo daquilo que poderá me fazer feliz no futuro.
Felicidade é sempre um reencontro.
Só posso sentir saudades daquilo que um dia tive, e depois perdi.”
Rubem Alves
04 janeiro 2010
ouviu o som... mas onde tudo aconteceu?
.
..
...
古池や
蛙飛び込む
みずの音
芭蕉
o velho lago
o salto da rã
o som da água
- bashô
(tradução literal)
" a rã, de fato saltou na agua?" Kai Hasegawa é um haikaista (poeta de haikai), diz que
há 300 anos, este que é o clássico dos clássicos, o mais famoso haikai do bashô, vem sendo interpretado erroneamente. E se não erroneamente, pelo menos mal compreendido. Diz o autor que a rã não pulou no lago, mas ao ouvir o som do sapo pular na água, o poeta Bashô imaginou, criou uma imagem do velho lago. Isto é, o som da agua é real, mas o velho lago não seria um lago que tenha existência real em algum lugar, mas um velho lago imaginário que surgiu na mente do Bashô. E que faz mudar a interpretação, é a presença da letra や "ya" que faz o corte na frase. Diz ele que se a rã tivesse de fato pulado, a construção do poema seria de outra forma.
ok, eu que sei um pouco da língua japonesa
fiz a minha traduçãozinha poética
temperado com a minha maneira própria de ver e pensar
ouvindo o som da água
é o velho lago
onde pulam os sapos
o círculo n'água
algas esverdeadas
mas... onde mesmo?
aqui e agora
dentro de mim
procurei na net, algumas traduções, inclusive de alguns feras da poesia concreta como Haroldo de Campos, Paulo Leminsk, e outros não menos famosos como Millôr Fernandes e Caetano Veloso.
velho lago
mergulha a rã
fragor d'água
Velho tanque abandonado ao silêncio...
lança-se a rã num mergulho:
quase inaudível som da água.
A Rã
Coro de cor, sombra de som de cor, de mal me quer
De mal me quer, de bem, de bem me diz
De me dizendo assim: serei feliz
Serei feliz de flor, de flor em flor
De samba em samba em som, de vai e vem
De verde, verde ver pé de capim
Bico de pena, pio de bem-te-vi
Amanhecendo sim perto de mim
Perto da claridade da manhã
A grama, a lama, tudo é minha irmã
A rama, o sapo, o salto de uma rã
silencioso lago
o sapo salta
tchá
No velho tanque
Uma rã salta-mergulha
Ruído na água.
Velho tanque.
Uma rã mergulha.
Barulho da água.
Embaixo do tanque
Não encontro o que procuro
Uma rã me assusta.
Rã
No lago, mergulha
uma rã... Na água, a manhã
verde-azul borbulha...
Perereca
Elástica... pula...
Risco acrobático, arisco.
A poça se ondula...
VELHA
LAGOA
UMA RÃ
MERG ULHA
UMA RÃ
ÁGUÁGUA
Superfície verde.
A rã mergulha quebrando
a tranqüilidade.
chuá, chuá
coach, coach
tchibum!
Uma rã saltando
blum
o rio também
pula alforriado
Ah! o antigo açude!
E quando uma rã mergulha,
o marulho da água.
No velho poço
plop e some, tão fria
a rã de Bashô
camões revisto por bashô
o salto da rã
sobre a folhagem
contorce o verso
Verde
Na lâmina azinhavrada
desta água estagnada,
entre painéis de musgo
e cortinas de avenca,
bolhas espumejam
como opalas ocas
num veio de turmalina:
é uma rã bailarina,
que ao se ver feia, toda ruguenta,
pulou, raivosa, quebrando o espelho,
e foi direta ao fundo,
reenfeitar, com mimo,
suas roupas de limo...
Quebrando o silêncio
de charco antigo, a rã salta
na água, ressoar fundo.
O velho tanque
uma rã mergulha
dentro de si.
Na beira do charco,
coaxa o sapo-ferreiro
e acorda o silêncio.
Na antiga lagoa
pro fundo uma rã mergulha.
Barulho das águas.
Ao pular de um sapo,
as águas do velho lago
se abriram sonoras...
Um velho lago parado... cerrado... calado...
de águas turvas e tranqüilas,
realizava, no deslumbramento da noite clara,
seu sonho antigo de ser espelho...
Seu fundo lodoso e sombrio
refletia, cheio de orgulho,
um cortejo relumbrante de estrelas,
quando um sapo, asqueroso e profano,
saltou sobre ele,
arrancando de suas águas
um arrepio de pavor
e um gemido estrangulado de agonia...
Água resmungona...
No tanque limoso
o pulo da rã.
As pererecas
pulam no lago verde
A água suspira
Sobre o tanque morto
Um ruído de rã
Que mergulha.
Nem grilo, grito, ou galope;
No silêncio imenso
Só uma rã mergulha
plóóp!
águas paradas
mal pula a rã se inundam
de ondas sonoras
Na grama da praça,
a rã salta, salta e assusta
a moça que passa.
Ploc! Uma rã pula
no silêncio da lagoa,
e o silêncio ondula.
Sobre o tanque morto
um ruído de rã
submergindo.
Ah, o velho lago.
De repente a rã no ar
e o baque na água.
O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.
velha lagoa
o sapo salta
o som da água
]
MALLARMÉ BASHÔ
um salto de sapo
jamais abolirá
o velho poço
No tanque vetusto
um estalido na água:
o salto da rã!
Plenitude
A água está parada.
Uma rã salta no musgo.
Olho. E mais nada.
velho tanque
a rã salta
som do baque n'água
O tanque rachado.
Um fio de água molha
a pata da rã.
O sapo mergulha:
N'água fria da lagoa
uma pedra parda.
Rã
Com seu pulo mole
mergulha... A água borbulha
e num gole a engole...
Um velho tanque:
salta uma rã
zás!
esquichadelas.
O sapo pulou
no velho tanque vazio
e... espatifou-se.
No velho tanque,
saltou uma rã. O bulício...
Ruidosas crianças
Afugentam da lagoa
As rãs de Bashô.
No capim que cresce
A pequena rã mergulha
Tarde cinza-chumbo.
Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada...
O sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
..
...
古池や
蛙飛び込む
みずの音
芭蕉
o velho lago
o salto da rã
o som da água
- bashô
(tradução literal)
" a rã, de fato saltou na agua?" Kai Hasegawa é um haikaista (poeta de haikai), diz que
há 300 anos, este que é o clássico dos clássicos, o mais famoso haikai do bashô, vem sendo interpretado erroneamente. E se não erroneamente, pelo menos mal compreendido. Diz o autor que a rã não pulou no lago, mas ao ouvir o som do sapo pular na água, o poeta Bashô imaginou, criou uma imagem do velho lago. Isto é, o som da agua é real, mas o velho lago não seria um lago que tenha existência real em algum lugar, mas um velho lago imaginário que surgiu na mente do Bashô. E que faz mudar a interpretação, é a presença da letra や "ya" que faz o corte na frase. Diz ele que se a rã tivesse de fato pulado, a construção do poema seria de outra forma.
ok, eu que sei um pouco da língua japonesa
fiz a minha traduçãozinha poética
temperado com a minha maneira própria de ver e pensar
ouvindo o som da água
é o velho lago
onde pulam os sapos
o círculo n'água
algas esverdeadas
mas... onde mesmo?
aqui e agora
dentro de mim
| alam Japan, Suzuka, 2010 |
procurei na net, algumas traduções, inclusive de alguns feras da poesia concreta como Haroldo de Campos, Paulo Leminsk, e outros não menos famosos como Millôr Fernandes e Caetano Veloso.
velho lago
mergulha a rã
fragor d'água
| Alberto Marsicano Haikai,1988 |
Velho tanque abandonado ao silêncio...
lança-se a rã num mergulho:
quase inaudível som da água.
| Antônio Nojiri Poesia japonesa, 2005 |
A Rã
Coro de cor, sombra de som de cor, de mal me quer
De mal me quer, de bem, de bem me diz
De me dizendo assim: serei feliz
Serei feliz de flor, de flor em flor
De samba em samba em som, de vai e vem
De verde, verde ver pé de capim
Bico de pena, pio de bem-te-vi
Amanhecendo sim perto de mim
Perto da claridade da manhã
A grama, a lama, tudo é minha irmã
A rama, o sapo, o salto de uma rã
| Caetano Veloso e João Donato |
silencioso lago
o sapo salta
tchá
| Carlos Verçosa, tradutor de Octavio Paz Oku: viajando com Bashô,1996 |
No velho tanque
Uma rã salta-mergulha
Ruído na água.
| Casimiro de Brito Uma rã que salta: homenagem a Bashô, 1995 |
Velho tanque.
Uma rã mergulha.
Barulho da água.
| Cecília Meirelles Escolha o seu sonho, 1974 |
Embaixo do tanque
Não encontro o que procuro
Uma rã me assusta.
| Clóvis Moreira dos Santos Haicais - 1a Antologia 2001, 2001 |
Rã
No lago, mergulha
uma rã... Na água, a manhã
verde-azul borbulha...
| Cyro Armando Catta Preta Moenda dos Olhos, 1986 |
Perereca
Elástica... pula...
Risco acrobático, arisco.
A poça se ondula...
| Cyro Armando Catta Preta Palhas do Tempo, 1993 |
VELHA
LAGOA
UMA RÃ
MERG ULHA
UMA RÃ
ÁGUÁGUA
| Décio Pignatari citado em Matsuo Bashô, de Paulo Leminski, 1987 |
Superfície verde.
A rã mergulha quebrando
a tranqüilidade.
| Eduardo Martins Poemas japoneses, 1950 |
chuá, chuá
coach, coach
tchibum!
| Estrela Ruiz Leminski Cupido: cuspido, escarrado, 2004 |
Uma rã saltando
blum
pula alforriado
| Fernando Sérgio Lyra Planos de Gaivota, 1996 |
Ah! o antigo açude!
E quando uma rã mergulha,
o marulho da água.
| Guilherme de Almeida Acaso: versos de todo tempo, 1938 |
No velho poço
plop e some, tão fria
a rã de Bashô
| Gustavo Alberto Corrêa Pinto Gotas de Orvalho, 1990 |
| o velho tanque | ||||
| rã salt' | ||||
| tomba | ||||
| rumor de água |
| Haroldo de Campos A arte no horizonte do provável, 1969 |
camões revisto por bashô
| as rãs | ||||||||
| daqui e dali | s | l | a | d | ||||
| a | t | n | o | |||||
| o charco soa | ||||||||
| Haroldo de Campos Crisantempo: no espaço curvo nasce um, 1998 |
o salto da rã
sobre a folhagem
contorce o verso
| Jaime Vieira Hai-kais ao sol (antologia), 1995 |
Verde
Na lâmina azinhavrada
desta água estagnada,
entre painéis de musgo
e cortinas de avenca,
bolhas espumejam
como opalas ocas
num veio de turmalina:
é uma rã bailarina,
que ao se ver feia, toda ruguenta,
pulou, raivosa, quebrando o espelho,
e foi direta ao fundo,
reenfeitar, com mimo,
suas roupas de limo...
| João Guimarães Rosa Magma, 1997 |
Quebrando o silêncio
de charco antigo, a rã salta
na água, ressoar fundo.
| Jorge de Sena Poesias de 26 séculos, v.2, 1960 |
O velho tanque
uma rã mergulha
dentro de si.
| Jorge de Souza Braga O gosto solitário do orvalho, 1986 |
o tanque estanque
mergulho de rã: t
SHI
bun !
circunfluindo ..| Josely Viana Batista jornal Gazeta do Povo, Curitiba, s/d |
Na beira do charco,
coaxa o sapo-ferreiro
e acorda o silêncio.
| Leda Mendes Jorge Haicais, 1999 |
Na antiga lagoa
pro fundo uma rã mergulha.
Barulho das águas.
| Lena Jesus Ponte Na trança do tempo, 2000 |
Salta a rã no lago
((((( o tremor da água se espalha )))))
mergulha em galáxias.
((((( o tremor da água se espalha )))))
mergulha em galáxias.
| Lena Jesus Ponte Na trança do tempo, 2000 |
Ao pular de um sapo,
as águas do velho lago
se abriram sonoras...
| Luís Antônio Pimentel Tankas e haikais, 1953 |
Um velho lago parado... cerrado... calado...
de águas turvas e tranqüilas,
realizava, no deslumbramento da noite clara,
seu sonho antigo de ser espelho...
Seu fundo lodoso e sombrio
refletia, cheio de orgulho,
um cortejo relumbrante de estrelas,
quando um sapo, asqueroso e profano,
saltou sobre ele,
arrancando de suas águas
um arrepio de pavor
e um gemido estrangulado de agonia...
| Luís Antônio Pimentel Tankas e haikais, 1953 |
Água resmungona...
No tanque limoso
o pulo da rã.
| Luiz Bacellar Satori, 1999 |
| O pulo |
| Estrela foi se arrastando no chão deu no sapo sapo ficou teso de flor! e pulou o silêncio |
| Manoel de Barros Arranjos para Assobio, 1982 |
As pererecas
pulam no lago verde
A água suspira
| Maria Apparecida Arruda Hai-kais ao sol (antologia), 1995 |
Sobre o tanque morto
Um ruído de rã
Que mergulha.
| Maria Ramos, tradutora de Osvaldo Svanascini Três mestres do haikai: Bashô, Buson, Issa,1974 |
Nem grilo, grito, ou galope;
No silêncio imenso
Só uma rã mergulha
| Millôr Fernandes Hai-kais, 1986 |
águas paradas
mal pula a rã se inundam
de ondas sonoras
| Nelson Ascher Folha de S.Paulo, 19/01/2004 |
Na grama da praça,
a rã salta, salta e assusta
a moça que passa.
| Nilton Manoel Poesia Mágica (Haicais), 2008 |
Ploc! Uma rã pula
no silêncio da lagoa,
e o silêncio ondula.
| Oldegar Vieira Gravuras no vento, 1994 |
Sobre o tanque morto
um ruído de rã
submergindo.
| Olga Savary O livro dos hai-kais, 1987 |
Ah, o velho lago.
De repente a rã no ar
e o baque na água.
| Olga Savary Bashô, 1989 |
O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.
| Paulo Franchetti e Elza Doi Haikai, 1990 |
velha lagoa
o sapo salta
o som da água
| Paulo Leminski Matsuo Bashô: A Lágrima do Peixe, 1983 |
]
MALLARMÉ BASHÔ
um salto de sapo
jamais abolirá
o velho poço
| Paulo Leminski La vie en close, 1991 |
No tanque vetusto
um estalido na água:
| Primo Vieira Bashô - Palhas de arroz, 1994 |
Plenitude
A água está parada.
Uma rã salta no musgo.
Olho. E mais nada.
| Raul Machado As Cinco Estações, 1993 |
velho tanque
a rã salta
som do baque n'água
| Regina Bostulim Armadilha de Polvos, 2003 |
O tanque rachado.
Um fio de água molha
a pata da rã.
| Roberto Saito Fúrias - Faíscas - O grande silêncio, 1992 |
O sapo mergulha:
N'água fria da lagoa
uma pedra parda.
| Ronaldo Bomfim Essências e medulas, 2000 |
Rã
Com seu pulo mole
mergulha... A água borbulha
e num gole a engole...
| Sebas Sundfeld Sínteses Poéticas, 2002 |
Um velho tanque:
salta uma rã
esquichadelas.
| Sebastião Uchoa Leite, tradutor de Octavio Paz Signos em Rotação, 1971 |
O sapo pulou
no velho tanque vazio
e... espatifou-se.
| Sérgio Dal Maso Natureza - Berço do haicai (antologia), 1996 |
No velho tanque,
saltou uma rã. O bulício...
| Tei Okimura A poesia e os japoneses: o "haikai" in: Brasil e Japão, duas civilizações que se completam, 1934 |
Ruidosas crianças
Afugentam da lagoa
As rãs de Bashô.
| Teruko Oda Relógio de sol, 1994 |
No capim que cresce
A pequena rã mergulha
Tarde cinza-chumbo.
| Teruko Oda Haicai - A poesia do kigô, 1995 |
Um templo, um tanque musgoso;
Mudez, apenas cortada
Pelo ruído das rãs,
Saltando à água, mais nada...
| Wenceslau de Moraes Relance da alma japonesa, 1925 |
O sapo, num salto
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã
| Zemaria Pinto Fragmentos de Silêncio, 1996 |
03 janeiro 2010
2010 in japan
amigos
desejo um 2010 cheio de graças
tal como foi o 2009
graças a mim
graças a meus pais
graças a amigos
graça de mim
graça da vida
2010
o ano do tigre
o ano do tigre
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