posso ter a idéia
mas não posso deixar que
ela me tenha


transcedental 2 (1980)


o mitio chegou para uma vista de 1 mes no brasil. é o terceiro na escala "cronológica" de cima pra baixo (6+1 irmão), mora há mais de 15 anos no japão, ex-artista grafico, ex-riponga, ex-pastor de igreja evangélica, hoje vive de estamparia. e agora praticante de meditação vipassana. dos meus irmãos, acho que é o mais radical nas mudanças. nos anos 80, quando fez uma viagem para a chapada de guimarães, teve um encontro com "deus", uma experiência que fez com que "reconvetesse" para o cristianismo evangélico, tornando-se pastor, dentro de uma estrutura hierarquica de igreja. ah... pra mim foi PHODA!!! quando o encontrei, de volta da chapada já convertido, foi dificil conversar com ele. não era conversa, era sermão+oração com as suas mãos postados na minha cabeça... isso foi no fim dos anos 80. ficamos anos sem nos ver. daí então, só em 2003 estive na casa dele no japão, foi quando estava dropando fora da igreja, largando a "profissão de pastor"....
mas então, botamos a conversa em dia... falamos de tudo, da nossa infância, dos tempos de londrina, dos filhos, dos velhos amigos ( ripongas ) daquela época, enfim.... lembrei do wood&stock de angeli, achei esse quadrinho que cai muto bem aqui...

Darwin viajou como companheiro do irritadiço capitão Robert FitzRoy, cujo principal objetivo era devolver três aborígines alakaluf e yahgan (para Darwin, "fueguinos", pois vinham da Terra do Fogo, o arquipélago no extremo sul das Américas). Eles haviam sido capturados na viagem anterior do Beagle e cristianizados como experiência. Darwin viveu durante meses com esses chamados "selvagens" civilizados e compreendeu em primeira mão que, como ele escreveu, a distância entre os selvagens e os civilizados não era maior que aquela entre animais selvagens e domésticos.
Ainda mais importante, a viagem expôs Darwin ao que poucos cavalheiros ingleses da época jamais veriam - a completa e crua barbárie da escravidão. Em terra na América do Sul, sabemos pelo diário que publicou em 1845 que Darwin viu aquelas correntes, os torniquetes e o menino de 6 anos chicoteado, além de outras "atrocidades de partir o coração". Ele se descreveu como incapacitado, enquanto estrangeiro, de intervir (só o garoto chicoteado teve sua interferência; não sabemos de outra instância).
Mais ou menos na mesma época, os apologistas da escravidão nos EUA afirmavam que os caucasianos e os africanos eram espécies diferentes. Essa alegação não era apenas dos propagandistas no sul do país, mas também de homens de ciência que possuíam escravos. As diversas espécies humanas não tinham uma origem comum, diziam - remontavam imutáveis à
Darwin era muito consciente da opinião das "espécies separadas". No Beagle, ele levou uma famosa obra de 17 volumes, o "Dictionnaire Classique d'Histoire Naturelle", que dividia os seres humanos em 15 espécies e, muito ofensivamente (na visão de Darwin), até citava os fueguinos e patagônios como duas delas. Darwin, que conhecia bem esses povos, sabia que eram relacionados intimamente, mas adaptados a terrenos diferentes. Para o "Dictionnaire", cada espécie tinha sua linhagem própria. Os fueguinos e os patagônios não apresentavam maior parentesco que os homens brancos e negros.
É muito sabido que o avô Wedgwood havia produzido o famoso selo "Não sou um homem e um irmão?" para a Sociedade para a Efetivação da Abolição do Comércio de Escravos - na verdade ele produziu milhares de medalhões com o lema a suas próprias custas, que se tornaram peças na moda, usadas em solidariedade, as papoulas vermelhas da época. Mas ele também patrocinou o grande agitador abolicionista Thomas Clarkson, o homem que percorreu 35 mil milhas entre portos coletando estatísticas sobre o tráfico. O dinheiro de Wedgwood também financiou a Sierra Leone Company, criada para ajudar os escravos libertos a se estabelecerem na África.
Ele sabia que os negros podiam ser civilizados. Sabia que as raças não eram espécies separadas, como afirmavam os donos de escravos, mas ficou frustrado por não conseguir fazer nada sobre a escravidão no estrangeiro. Agora seu sentimento reprimido se despejou em uma nova e estranha ciência: uma que se baseava em uma verdade oposta e evidente, de que o escravo negro era "um homem e um irmão". Para ele, o corolário da irmandade era uma imagem racial radicalmente diferente da defendida pela maioria de seus contemporâneos: a de uma "descendência comum". E foi esta que formou a imagem central da original ciência evolucionista de Darwin.
As agonias de Darwin sobre suas próprias teorias são conhecidas. Ele levou três décadas para revelar plenamente suas idéias sobre a evolução humana. Criou sua teoria em 1837-1839, publicou "Sobre a Origem das Espécies", que evitou falar sobre a humanidade, em 1859 e finalmente tomou coragem para anunciar sua crença na evolução humana em "A Descendência do Homem" em 1871.
Em primeiro lugar, existe uma pergunta incômoda a ser respondida. Se suas visões abolicionistas orgulhosamente defendidas eram tão centrais para sua ciência, por que Darwin nunca menciona explicitamente a ligação entre elas? A resposta é dupla. Primeiro, mesmo que ele reconhecesse conscientemente esses princípios morais como verdades evidentes, existe o segredo em que ele envolvia todo o seu pensamento sobre a evolução.
A chave para se entender a posição conflituosa de Darwin e suas ações é não tanto a evidência que ele coletou quanto a maneira particular como ele as formulou. O relato dominante desse processo - que os "fatos" que ele descobriu forçaram sua mão e o levaram a desenvolver suas teorias da maneira como o fez - não se sustenta. Não há dúvida de que as aves de Galápagos e as preguiças dos pampas foram cruciais. Mas muitos naturalistas marinhos tinham visto tanto quanto Darwin viu e não gritaram: "Evolução!".
A resposta é clara. Levado por sua herança antiescravagista e a terrível experiência da escravidão no Brasil, Darwin voltou à Inglaterra em 1836 e imediatamente concebeu uma imagem de descendência comum. Seus cadernos evolucionistas particulares de 1837-1838 mostram que seu pensamento se afasta do parentesco e da irmandade raciais para unir toda a criação sofredora. Ele desenvolveu essas idéias em um momento de crescente euforia abolicionista, quando os escravos estavam terminando seu "aprendizado" compulsório e finalmente sendo libertados.
O próprio Darwin havia testemunhado a limpeza étnica em escala mundial: os indígenas dos pampas na Argentina assassinados pelos gaúchos do general Rosas para liberar o terreno para o gado; os últimos tasmanianos levados para acampamentos. O Beagle chegou em meio das guerras xhosa no Cabo, no início da "Grande Marcha" bôer. Esses eventos prefiguravam um lado mais sombrio do darwinismo; e a visão do próprio Darwin se tornou mais sombria depois que ele leu em Thomas Malthus sobre as guerras e a fome como consequências das pressões populacionais.
fui ontem com ines, ver o filme de david fincher "o curioso caso de benjamin..."noossa, muito lindo. me emocionou a beleza, a delicadeza, a sutileza, com que trata a condição humana, a vida, a morte, a velhice... (e tô cada vez mais "~ ♪ ~ qq cena de novela me faz chorar ~ ♪ ~ " ) meu filho anando tinha ido no dia anterior. diz ele, com 24 anos, que não viu muita graça. e acho que é isso mesmo. é uma história pra nós veiarada, com mais de 50 anos.