15 março 2009

idéia


posso
ter a idéia
mas não posso deixar que
ela
me tenha


14 março 2009

edu engler [ autonomia+cooperação ]


edú, quando fez tokkou
para o blog dele clicaqui
.

não fui zelador do tokkou dele, então só conheço pelos e-mail que ele manda na lista [i-kensan], e alguns emails particulares recentes. ontem me mandou um email, pedindo instrução para fazer "misso" , aquela pasta de soja com sal fermentada, que nós japoneses usamos tradicinalmente. diz ele que por influência da leitura de henry thoreau na adolecência, tenta a mais possível autonomia+cooperação na vida que leva agora.
bão, fazer misso na minha família existe como tradição, desde pequeno ajudei muito a minha mama fazer misso. rodei muito aquela manivela da moenda que instalada no canto da mesa, vai jogando soja cozida, ainda quente! e amassando. e depois aquela soja toda ocupava um quarto inteiro no chão, fermentando com "koji"(o fungo), num lembro bem, tinha o ponto certo da temperatura, então ficava de tempo em tempo, espiando o quarto fechado escuro pra ver o estado fermentativo (?) do misso....
bão, e agora o edú me pergunta como faz o misso, preciso perguntar pra naoko, a minha madrasta, porque é ela que faz agora e detém o "nourrou" da coisa...
bão, ia dizendo tudo isso, porque lembrei dos e-mails que ele mandou na lista [kensan-br] há um ano atrás(03/2008), pedindo ajuda para uma casa que estava construindo.... e acreditem!! ele pegou os materiais de reciclagem, de demolição, e diz que gastou R$ 63.00 até aquele momento!!! como podem ver na foto, a casa já estava mais da metade construida!!!


mão na massa!!


hum... toda obra é bagunça mesmo...


olhem a antena parabólica da internet feita de bacia de cozinha !!!


15 kg a menos!! ficou esse corpinho!!

From: edu engler <edu...@..mail.com>
Date: 10/03/2008 23:28
Subject: Progresso da ajuda
To: kensan-br@...groups.com,
Oi pessoal
estou enviando este email pra relatar o progresso das coisas a partir do meu email pedindo ajuda
mando as fotos para que todos possam ver o que está acontecendo, até o momento gastei em dinheiro 63 Reais no feitio da casa, falta o segundo andar, mas tá quase lá se a chuva não atrapalhar novamente, troquei dois concertos de computdor por oleo queimado e oleo diesel, o Ivan e o jaca ajudaram na casa, fizeram um churras e tocaram um "chorinho" belissimo no final do dia (obrigadão messssmo), o thobias emprestou uma serra circular ontem (afinal no serrote foi duro mesmo), o BD e a Marcela me emprestaram uma furadeira portátil, além de trazerem minhas coisas pouco a pouco de Blumenau (brigadu), o Fabio (foex) ajudou com um belo churras tbm e boa companhia e proza gaudéria (valeuuuu, tava bom), outra pessoa que não quer ser nominada ajudou comprando 4 litros de diesel (brigaduuuu), a Gisele ajudou com receitas para o empório e idéias mil (valeu mesmo),
Nathalia ofereceu uma graninha e o carro, mas como estava doentinha, pedi a ela que guardasse a graninh e se cuidasse, quando chegar aqui em floripa a gente conversa (brigadão mesmo),o Gustavo, bem o que posso dizer, além de tudo o mais, está diariamente na construção ajudando, se não fosse ele , a coisa toda não sairia.
_________
meus devedoras não pagaram nem se pronunciram
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quanto ao empório, estou ainda esperando a ajuda de alguém que tenha um cartão de crédito pra me ajudar a pagar uma moenda de café (como aquelas que a gente saia com o pacotinho de papel , quentinho de café, cheirando gostoso), são 12 prestações de 75 pilas.
bom, as fotos estão aí OK, e eu nelas 15 quilos mais magro
a quem me ajudou, muito obrigado, a quem me ofecereu conselhos, pensei-os

beijão a todos
e neste vão as fotos com certeza
Edú

13 março 2009

jill taylor


bão, já tinha visto alguns videos da jill taylor na internet no ano passado. ok, parece que o que ela diz faz sentido. mas na verdade, num gostei muito desse cheiro de missionária que ela exala ( ok, é eu que sinto assim ). vendo agora, parece mais um dessas palestrantes de auto-ajuda... uma boa carga de interpretação subjetiva do que aparente rigor científico...., seilá. fica parecendo esses caras que tem revelações místico-espiriuais depois de fazer um desses tours de elevação espiritual, vira um messias, sai pregando a mundo a fora...

11 março 2009

aniversário da cris e do shogo

na varanda, aproveitando o momento antes da viagem de 2 semanas do pietro&cris&duda para inglaterra.
estava ajudando koide assar os primeiros pedaços de contra filé, de repente, um barulhão quase estrondo, precedido de som de freada...
desci pra rodovia, cena de horror, ainda envolto na poeira, acidente com dois caminhões e um carro, um caminhão atravessou o canteiro e colidiu de frente com o outro caminhão que vinha na outra pista... ouço gemidos, tem gente viva no meio da ferragem... , caramba deu tremedeira.
bão... resolvi não me meter, deixa pra pessoal especializado. mas depois a festinha ficou estranho ...

transcedentais - 1980

falei do mitio, o queridíssimo maibrodi, o terceiro da escala cronológica, o mais radical nas mudanças.
durante a estadia de um mês aqui no brasil, foi procurar os amigos dos tempos aqueles ( inicio dos anos 80, da espiritualidade riponga, hair, yoga, maharishi, rajneesh, sanyasin, aurobindo, krishnamurth, hendrix, xhá de lírio, maconha, bioenergética, terapias corporais, etc), era nóis pegando o rabicho da contracultura.....
e então ele achou esses quadros que ele tinha pintado que estavam com a sonia wail. ( me disseram que ela é sobrinha do pierre wail, ela nunca me disse isso....)
e eu que achava que esses ftinham sido queimados juntos com outros quadros e livros, quando ele se converteu ao cristianismo evangélico, ou vulgarmente falando, "virou crente".
eu não estava em casa, no dia que ele fez isso.
botou todo o passado "coisa de demonio" pra fora do quarto, amontoou no quintal, e fogo!!!
bão, esses quadros, eu acompanhei toda feitura dele, morávamos na casa da chácara canaã, em londrina, então, ela traz lembranças, muitas lembranças.
caçamba! ouvia dizer que os velhos gostam de ficar contando coisas do passado, e isso foi se confirmando com meu papito (88 aninhos), e agora eu aqui, falando de passado... e parece mesmo que quanto mais velho, as memórias do passado longíquo (assim que se escreve?), vão ficando mais nítidas, ao contrário das memórias do passado recente vão ficando mais apagadas.... hum... o que teve de mistura na janta de ontem mesmo?...

transcedental 1 (1980)

transcedental 2 (1980)

09 março 2009

a ariadne


hoje - olha ela, na casinha dela, acomodada, recebe periodicamente as baratas, gafanhotos, e grilos que pietro caça nos arredores da casa e do aviário onde trabalha...( foto chupada do emal do pietro para [i-kensan] )


trouxe para casa, ficou 3-4 dias nessa caixa, até que pietro resolveu adotá-la. recebeu o nome de ariádne !!!! anando quiz que fotografasse junto com a mão dele ( e a coragem dele) para mostrar o tamanho dela, acabei filmando o susto dele quando ela se moveu ....ahahaha

26/01/2009 - encontrei-a assim, atravessando tranquilamente o asfalto, quase passei por cima com os 1 tonelada da minha camionete!


08 março 2009

O Calendário Cósmico - Carl Seagan

Uma maneira bem didática que para expressar o cronograma cósmico e o tempo geológico. A idéia é do cientista Carl Sagan e está presente no livro "Os Dragões do Éden" (1985) e no documentário "Cosmos" (1980). Nessa escala, a vida de 15 bilhões de anos do universo é condensada em um ano. Dessa forma, transformando o tempo geológico em tempo histórico, podemos ter uma boa noção de quando os principais acontecimentos ocorreram.

Datas anteriores a Dezembro
01 de Janeiro...Big Bang
01 de Maio...Origem da Via Láctea
09 de Setembro...Origem do Sistema Solar
14 de Setembro...Formação da Terra
25 de Setembro...Origem da Vida na Terra
02 de Outubro...Formação das mais antigas rochas conhecidas na Terra
09 de Outubro...Data dos fósseis mais antigos: bactérias e algas verdes-azuis
01 de Novembro...Invenção do sexo (por microrganismos)
12 de Novembro...Plantas fotossintéticas fósseis mais antigas
15 de Novembro~ Aproximadamente... Aparecimento das Eucariotas (primeiras células com núcleo)


Dezembro




31 de Dezembro
13h30m -Origem do Proconsul e do Ramapithecus, prováveis antecessores dos homens e macacos
22h30m - Primeiros seres humanos ~
23h00m - Utilização generalizada dos utensílios de pedra
23h46m - Domínio do fogo pelo Homem de Pequim
23h56m - Início do período glaciário mais recente
23h58m - Navegadores colonizam a Austrália
23h59m - Pinturas rupestres por toda a Europa
23h59m20s - Invenção da Agricultura
23h59m35s - Civilização neolítica: primeiras cidades
23h59m50s - Primeiras dinastias na Suméria, em Ebla e no Egipto; desenvolvimento da Astronomia
23h59m51s - Invenção do alfabeto; Império Acadiano
23h50m52s - Códigos de Hamurabi na Babilónia; Médio Império no Egipto
23h59m53s - Metalurgia do bronze; cultura micénica; Guerra de Tróia; civilização olmeque; invenção do compasso
23h59m54s - Metalurgia do ferro; primeiro império Assírio; reino de Israel;fundação de Cartago pelos Fenícios
23h59m55s - Índia de Ashoka; dinastia Ch'in na China; a Atenas de péricles; nascimento de Buda
23h59m55s - Geometria Euclidiana; física de Arquimedes; astronomia Ptolomaica; Império Romano; nascimento de Cristo
23h59m57s - O zero e os decimais inventados pela aritmética Indiana; queda de Roma; conquistas muçulmanas
23h59m58s - Civilização Maia; dinastia Sung na China; Império Bizantino; invasão mongol; cruzadas
23h59m59s - Renascimento na Europa; descobrimentos pelos Europeus e pela dinastia Ming na China; aparecimento do método experimental na ciência;
Agora: o primeiro segundo do novo ano - Desenvolvimento generalizado da ciência e da tecnologia; aparecimento de uma cultura global; aquisição dos meios de autodestruição da espécie humana; primeiros passos na exploração planetária com engenhos espaciais e busca de uma inteligência extra-terrestre.

"A construção de quadros e calendários desse tipo é inevitavelmente humilhante. É desconcertante que, em tal ano cósmico, a Terra não se tenha condensado a aprtir da matéria interestelar antes do início de setembro; que os dinossauros tenham surgido na noite de Natal; que as flores tenham emergido no dia 28 de dezembro e os homens e mulheres tenham aparecido às 22h 30min do último dia do ano. Toda a história conhecida ocupa os últimos 10 segundos do dia 31 de dezembro; e o tempo compreendido entre o declínio da Idade Média e o presente ocupa pouco mais que um segundo. Mas, em virtude de ter feito o arranjo desse modo, o primeiro ano cósmico acabou de findar. E, apesar da insignificância do instante que ocupamos até agora no tempo cósmico, é claro que o destino das coisas na Terra e em suas proximidades dependerá muito do conhecimento científico e da sensibilidade própria da humanidade".
Carl Sagan



03 março 2009

meu primeio mac ...


ah... num aguentei, estavamos lá no fnac, eu e o mac...
eu perdido e divagando entre o cálculo, o impulso e a emoção... e o mac lá....
pronto! comprei, o macbook, e ainda mais, o "air", aquele, o mais fino noteboock fabricado. tá, é aquele produto de mostruário que meio campinas já passou a mão ( like a " lu maçaneta" dos tempos de colégio... ), mas com desconto de 3 pilas? num guentei mesmo... e agora, depois da semana intensa do tokkou, to eu aqui manusenado, alisando, amaciando, aprendendo pelo menos navegar na net....

e olha espessura da "coisa"...

milho orgânico III


o preto passou lá na roça, apanhou umas espigas e me trouxe.
oquei, a espiga um pouco curta, mas tá bem granado, uniforme, promete uma boa colheita...

26 fevereiro 2009

20 fevereiro 2009

começaram os preparativos do 79o.

koide, podando as arbores


reunião de partida !!!


!
alvaro tascando esguicho




betão e ray no pesadão....

14 fevereiro 2009

é hoje!!!


When the Moon is in the seventh
house/and Jupiter aligns with
Mars/Then peace will guide the
planets/and love will steer the
stars/This is the dawning of the Age of Aqua-
rius/Age of Aquarius/Aquarius!/Aquarius!”


é hoje, mas mudou alguma coisa? um sabadão chuvento, pousei na fazenda, dormi sem o meu aquecedor (ou a aquecedora), acordei meio com dor de cabeça... nada esotérico....
mas, vai lá, é outra ERA, ... era?

12 fevereiro 2009

mitio chegou e foi

o mitio chegou para uma vista de 1 mes no brasil. é o terceiro na escala "cronológica" de cima pra baixo (6+1 irmão), mora há mais de 15 anos no japão, ex-artista grafico, ex-riponga, ex-pastor de igreja evangélica, hoje vive de estamparia. e agora praticante de meditação vipassana. dos meus irmãos, acho que é o mais radical nas mudanças. nos anos 80, quando fez uma viagem para a chapada de guimarães, teve um encontro com "deus", uma experiência que fez com que "reconvetesse" para o cristianismo evangélico, tornando-se pastor, dentro de uma estrutura hierarquica de igreja. ah... pra mim foi PHODA!!! quando o encontrei, de volta da chapada já convertido, foi dificil conversar com ele. não era conversa, era sermão+oração com as suas mãos postados na minha cabeça... isso foi no fim dos anos 80. ficamos anos sem nos ver. daí então, só em 2003 estive na casa dele no japão, foi quando estava dropando fora da igreja, largando a "profissão de pastor"....mas então, botamos a conversa em dia... falamos de tudo, da nossa infância, dos tempos de londrina, dos filhos, dos velhos amigos ( ripongas ) daquela época, enfim.... lembrei do wood&stock de angeli, achei esse quadrinho que cai muto bem aqui...




Darwin, 200 anos







então, hoje Dawin, teria 200 anos.
foi no ano passado. tinha ido a são paulo, umas burocracias. passei na frente do masp. fui ver a exposição. http://www.darwinbrasil.com.br/darwin/sp/index.asp

manuscritos, livros, digitalizados
http://darwin-online.org.uk/

aqui tá algumas reportagens, artigos recentes sobre.
http://darwim-eu.blogspot.com/

08 fevereiro 2009

Darwin, o abolicionista

"... fez irmãos e irmãs não apenas de todas as raças humanas, mas de toda a vida. "


Adrian Desmond

Pernas acorrentadas, torniquetes usados para amassar os dedos das escravas fugitivas, um menino de 6 anos chicoteado por servir água em um copo sujo: parecem cenas de uma história de terror moderna, mas foram todas vistas pelo jovem Charles Darwin em suas viagens no Beagle ao redor da América do Sul escravagista.

Não se encontra menção sobre elas nas páginas muito racionais e científicas de "Sobre a Origem das Espécies". Mas examine os diários, os cadernos particulares e o passado familiar de Darwin e encontrará um homem imerso na retórica e na crença fervorosa do movimento antiescravagista.

O homem de ciência público foi influenciado por essas paixões privadas? À luz das minuciosas pesquisas em arquivos das cartas, papéis e anotações de Darwin, acredito que a resposta é um firme "sim". Embora ele nunca tenha admitido publicamente tal motivação política, o sentimento antiescravidão foi um importante apoio à grande conquista intelectual de Charles Darwin - a teoria da evolução.


Um jovem rico saído dos claustros de Cambridge, Darwin embarcou no navio Beagle em Plymouth em 27 de dezembro de 1831. Seu itinerário de lugares longínquos é bem conhecido. O que em geral se percebe menos é que a viagem tinha diversos objetivos.

Darwin viajou como companheiro do irritadiço capitão Robert FitzRoy, cujo principal objetivo era devolver três aborígines alakaluf e yahgan (para Darwin, "fueguinos", pois vinham da Terra do Fogo, o arquipélago no extremo sul das Américas). Eles haviam sido capturados na viagem anterior do Beagle e cristianizados como experiência. Darwin viveu durante meses com esses chamados "selvagens" civilizados e compreendeu em primeira mão que, como ele escreveu, a distância entre os selvagens e os civilizados não era maior que aquela entre animais selvagens e domésticos.



Ainda mais importante, a viagem expôs Darwin ao que poucos cavalheiros ingleses da época jamais veriam - a completa e crua barbárie da escravidão. Em terra na América do Sul, sabemos pelo diário que publicou em 1845 que Darwin viu aquelas correntes, os torniquetes e o menino de 6 anos chicoteado, além de outras "atrocidades de partir o coração". Ele se descreveu como incapacitado, enquanto estrangeiro, de intervir (só o garoto chicoteado teve sua interferência; não sabemos de outra instância).

Mas depois da viagem a frustração transbordou para seus cadernos evolucionistas - um recurso de crucial importância no desenvolvimento de suas ideias -, que condenavam o escravagista "que degrada sua Natureza e viola os melhores instintos ao escravizar seu semelhante negro".

Mais ou menos na mesma época, os apologistas da escravidão nos EUA afirmavam que os caucasianos e os africanos eram espécies diferentes. Essa alegação não era apenas dos propagandistas no sul do país, mas também de homens de ciência que possuíam escravos. As diversas espécies humanas não tinham uma origem comum, diziam - remontavam imutáveis à
época da criação.

Essas justificativas dos donos de plantações revoltavam Darwin. Mas não se limitavam aos EUA. Muitos antropólogos na Grã-Bretanha e na América atraíam grandes públicos depois da década de 1840 afirmando que os brancos eram a única espécie capaz de civilização. Afinal, diziam, os negros nunca haviam produzido "um Cícero, um Bacon ou um Shakespeare". Estavam destinados a ser apenas escravos ou criados.

Darwin era muito consciente da opinião das "espécies separadas". No Beagle, ele levou uma famosa obra de 17 volumes, o "Dictionnaire Classique d'Histoire Naturelle", que dividia os seres humanos em 15 espécies e, muito ofensivamente (na visão de Darwin), até citava os fueguinos e patagônios como duas delas. Darwin, que conhecia bem esses povos, sabia que eram relacionados intimamente, mas adaptados a terrenos diferentes. Para o "Dictionnaire", cada espécie tinha sua linhagem própria. Os fueguinos e os patagônios não apresentavam maior parentesco que os homens brancos e negros.

Assim, Darwin voltou à Inglaterra agradecendo a Deus "que nunca mais visitarei um país escravagista". Os eventos marcaram sua memória.

Mas a viagem não foi tanto um despertar quanto uma confirmação das opiniões radicais em que Darwin havia sido criado. Mesmo antes de embarcar no Beagle, ele foi preparado para detestar o que viu no Brasil. A extensão do envolvimento de sua família com o fim de toda a escravidão foi revelada por Jim Moore depois de pesquisar os negligenciados arquivos nas cerâmicas Wedgwood (Josiah Wedgwood, o mestre ceramista, foi o avô materno de Darwin). O trabalho minucioso com milhares de cartas desbotadas não deixou dúvidas sobre esse compromisso.

É muito sabido que o avô Wedgwood havia produzido o famoso selo "Não sou um homem e um irmão?" para a Sociedade para a Efetivação da Abolição do Comércio de Escravos - na verdade ele produziu milhares de medalhões com o lema a suas próprias custas, que se tornaram peças na moda, usadas em solidariedade, as papoulas vermelhas da época. Mas ele também patrocinou o grande agitador abolicionista Thomas Clarkson, o homem que percorreu 35 mil milhas entre portos coletando estatísticas sobre o tráfico. O dinheiro de Wedgwood também financiou a Sierra Leone Company, criada para ajudar os escravos libertos a se estabelecerem na África.

O primeiro encontro de Darwin com uma pessoa negra é tão intrigante quanto pouco conhecido. Enviado para estudar medicina na Universidade de Edimburgo em 1825, Darwin foi um fracasso, e os poucos anos que passou ali são geralmente desprezados. A cirurgia o aterrorizava; as palestras o entediavam. Mas, no meu entender, ele passou 40 horas no primeiro inverno aprendendo a empalhar aves com um escravo liberto das Guianas, John Edmonston, que contava histórias sobre a vida nas plantações e sobre a floresta tropical.

A Guiana estava no noticiário: uma rebelião de escravos havia sido esmagada poucos meses antes, e John (supostamente descendente de cativos na África Ocidental) havia percorrido a floresta com o explorador Charles Waterton, cujo "Wanderings in South America" eram a sensação do momento. Assim, para Darwin, que tinha quase 17 anos, havia um certo encanto na companhia desse homem no gélido inverno de 1826. John tornou-se um "íntimo" nas palavras do próprio Darwin.

Ele sabia que os negros podiam ser civilizados. Sabia que as raças não eram espécies separadas, como afirmavam os donos de escravos, mas ficou frustrado por não conseguir fazer nada sobre a escravidão no estrangeiro. Agora seu sentimento reprimido se despejou em uma nova e estranha ciência: uma que se baseava em uma verdade oposta e evidente, de que o escravo negro era "um homem e um irmão". Para ele, o corolário da irmandade era uma imagem racial radicalmente diferente da defendida pela maioria de seus contemporâneos: a de uma "descendência comum". E foi esta que formou a imagem central da original ciência evolucionista de Darwin.

Para a maioria dos colegas de Darwin, a evolução era, sob qualquer aspecto, bizarra e execrável. Um de seus professores de geologia e ordenado na igreja queria pisar com "um calcanhar de ferro sobre a cabeça desse aborto nojento".

As agonias de Darwin sobre suas próprias teorias são conhecidas. Ele levou três décadas para revelar plenamente suas idéias sobre a evolução humana. Criou sua teoria em 1837-1839, publicou "Sobre a Origem das Espécies", que evitou falar sobre a humanidade, em 1859 e finalmente tomou coragem para anunciar sua crença na evolução humana em "A Descendência do Homem" em 1871.

A questão ardente, na verdade, é por que um jovem recém-saído do Beagle, com uma carreira brilhante em perspectiva - um cavalheiro para quem a honra era tudo - pensaria em arriscar tudo para desenvolver uma teoria do "homem-macaco" que confrontava os princípios mais sagrados da sociedade cristã à qual ele pertencia; e por que ele perseverou nisso através de longos anos de dúvida e temível isolamento? É em sua relação com a escravidão e a causa abolicionista que encontramos a resposta.

Em primeiro lugar, existe uma pergunta incômoda a ser respondida. Se suas visões abolicionistas orgulhosamente defendidas eram tão centrais para sua ciência, por que Darwin nunca menciona explicitamente a ligação entre elas? A resposta é dupla. Primeiro, mesmo que ele reconhecesse conscientemente esses princípios morais como verdades evidentes, existe o segredo em que ele envolvia todo o seu pensamento sobre a evolução.

Em segundo lugar, há uma questão maior na maneira como Darwin concebia suas próprias "motivações". Darwin era um homem de ciência que trabalhou em uma época em que esses homens deviam seguir os princípios indutivos de Bacon. O próprio "A Origem das Espécies" apresenta seu trabalho como um acúmulo paciente de fatos que o obrigou a conclusões evolucionistas. Seus cadernos pessoais, escritos imediatamente depois da viagem do Beagle, contam uma história totalmente diferente; mas Darwin nunca teria concebido seus próprios estudos como motivados por qualquer outra coisa que não a observação e o raciocínio. Suas suposições subjacentes, como acontece com frequência com os cientistas, não foram examinadas.

A chave para se entender a posição conflituosa de Darwin e suas ações é não tanto a evidência que ele coletou quanto a maneira particular como ele as formulou. O relato dominante desse processo - que os "fatos" que ele descobriu forçaram sua mão e o levaram a desenvolver suas teorias da maneira como o fez - não se sustenta. Não há dúvida de que as aves de Galápagos e as preguiças dos pampas foram cruciais. Mas muitos naturalistas marinhos tinham visto tanto quanto Darwin viu e não gritaram: "Evolução!".

Darwin era diferente. E o historiador da ciência deve tentar entender o que o impeliu a ver a evolução especificamente, e unicamente, em termos da origem comum, e assim fazer do homem apenas um tipo melhor de bruto. Qual foi o ganho moral que superou as consequências: noites sem dormir, o medo da ridicularização, o ostracismo ou pior?

A resposta é clara. Levado por sua herança antiescravagista e a terrível experiência da escravidão no Brasil, Darwin voltou à Inglaterra em 1836 e imediatamente concebeu uma imagem de descendência comum. Seus cadernos evolucionistas particulares de 1837-1838 mostram que seu pensamento se afasta do parentesco e da irmandade raciais para unir toda a criação sofredora. Ele desenvolveu essas idéias em um momento de crescente euforia abolicionista, quando os escravos estavam terminando seu "aprendizado" compulsório e finalmente sendo libertados.

As origens comuns, naquela época, eram quase desconhecidas na história natural. Mas eram ubíquas na ideologia abolicionista. Essa literatura abolicionista foi a fonte de Darwin. A civilização não era uma prerrogativa branca, ele sabia. Esses sentimentos estão por trás da série de anotações de 1838 em que Darwin levou suas conclusões ao limite.

Existem diversas ironias aqui. Darwin estava libertando os escravos para torná-los igualmente humanos. Mas estava também transformando todos os humanos em animais, rejeitando os que "pensam que a origem da humanidade é divina". Para muitos de seus críticos, uma abominação estava substituindo outra; e o remédio evolucionista era tão ruim quanto a doença da escravidão.

Também há uma ironia mais triste. O humanismo de Darwin era subjetivo. Ele refletia a natureza conflituosa da sociedade britânica, em que metade do país estava tentando libertar os escravos enquanto seus compatriotas que viviam na Austrália e em outros lugares estavam ocupados exterminando os aborígines nômades em nome do progresso econômico.

O próprio Darwin havia testemunhado a limpeza étnica em escala mundial: os indígenas dos pampas na Argentina assassinados pelos gaúchos do general Rosas para liberar o terreno para o gado; os últimos tasmanianos levados para acampamentos. O Beagle chegou em meio das guerras xhosa no Cabo, no início da "Grande Marcha" bôer. Esses eventos prefiguravam um lado mais sombrio do darwinismo; e a visão do próprio Darwin se tornou mais sombria depois que ele leu em Thomas Malthus sobre as guerras e a fome como consequências das pressões populacionais.

Ele usou idéias malthusianas para normalizar e naturalizar o genocídio colonial, tornando-o parte do processo evolucionário, sugerindo que esse conflito não apenas foi "natural", mas benéfico (na medida em que os sobreviventes "mais aptos" levaram adiante a raça humana). Os povos incivilizados das planícies estavam indo no caminho da megafauna que ele encontrou fossilizada sob seus pés.

Mas Darwin viu o conflito colonial como uma inevitabilidade a ser explicada, e não uma opção política a ser contestada. É uma suprema ironia que o abolicionista gentil e revoltado acabasse justificando a erradicação colonial.

Ele não viu a incongruência. E com o passar dos anos, adotou mais as atitudes de sua classe cavalheiresca sobre a ordem moral, tecnológica e intelectual "superior" conquistada pelos europeus brancos.

Então temos de viver com Darwin, com verrugas e tudo. Ele foi um homem de sua época, um espelho de sua cultura; racista enquanto também salvador da raça, perturbado pela crueldade enquanto naturalizava o genocídio, capaz de pôr a culpa na natureza e não no homem. A história é confusa e Darwin sempre foi um pensador paradoxal, ainda mais quando começou a se curvar aos ventos no final da vida.

Para comemorar figuras históricas, precisamos primeiro compreendê-las. Em 2009, 200 anos depois de seu nascimento, é hora de acender um refletor sobre o Darwin mais jovem - o homem cuja crença na fraternidade humana se transmutou em uma teoria evolucionária da origem comum. Em vez de ser moralmente subversiva, como afirmam seus críticos cristãos, a realização de Darwin se baseou na moral. Em vez de ser uma prática desapaixonada, sua ciência teve um impulso humanitário. Ela fez irmãos e irmãs não apenas de todas as raças humanas, mas de toda a vida.

02 fevereiro 2009

o curioso caso de benjamin button

fui ontem com ines, ver o filme de david fincher "o curioso caso de benjamin..."noossa, muito lindo. me emocionou a beleza, a delicadeza, a sutileza, com que trata a condição humana, a vida, a morte, a velhice... (e tô cada vez mais "~ ♪ ~ qq cena de novela me faz chorar ~ ♪ ~ " ) meu filho anando tinha ido no dia anterior. diz ele, com 24 anos, que não viu muita graça. e acho que é isso mesmo. é uma história pra nós veiarada, com mais de 50 anos.